A partir de 2026, pedir aposentadoria pelo INSS vai exigir um pouco mais. E não é que tenha saído uma nova lei; é que as regras de transição criadas lá em 2019 sobem de forma automática ano após ano. Por isso, muita gente que estava “quase lá” pode perceber que faltou um pedacinho a mais. Então, para não ser pego de surpresa, vale entender o básico agora e organizar os documentos com calma.
Antes de mais nada: por que isso acontece?
A Reforma da Previdência trocou as regras do jogo e, para não cortar direitos de uma vez, criou “escadas” de transição. Assim, a cada ano, a idade mínima e os chamados “pontos” aumentam um pouco. Ou seja, tudo vai ficando mais exigente até chegar no patamar final.
Em poucas palavras: o que muda em 2026
- Idade mínima progressiva sobe meio ano:
- Mulheres: 59 anos e 6 meses.
- Homens: 64 anos e 6 meses.
- Regra dos pontos sobe 1 ponto:
- Mulheres: 93 pontos (idade + tempo de contribuição).
- Homens: 103 pontos (idade + tempo de contribuição).
- Pedágios continuam valendo:
- Pedágio de 50%: para quem, em 13/11/2019, faltavam até 2 anos para completar 30 anos (mulher) ou 35 anos (homem).
- Pedágio de 100%: mulher com 57 anos e homem com 60 anos, pagando o “dobro” do tempo que faltava.
Obs.: Professores e algumas carreiras têm regras próprias. Além disso, servidores públicos seguem normas específicas. Se for o seu caso, é bom checar a sua regra.
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Como funcionam as principais regras
- Regra da idade progressiva
- O tempo mínimo de contribuição segue valendo: normalmente 30 anos para mulheres e 35 para homens nesta transição.
- Além disso, existe uma idade mínima que sobe 6 meses por ano. Em 2026, ela chega a 59,5 para mulheres e 64,5 para homens.
- Na prática, não basta “ter tempo”; é preciso também alcançar a idade da vez.
- Regra dos pontos
- Some sua idade + seu tempo de contribuição.
- Em 2026, o alvo é 93 pontos (mulher) e 103 (homem).
- Por exemplo: mulher com 59 anos e 34 anos de contribuição soma 93. Portanto, ela atinge a pontuação.
- Pedágio de 50%
- Válido para quem faltava até 2 anos em 13/11/2019.
- Exemplo simples: se faltavam 12 meses, você precisa contribuir 12 + 6 = 18 meses.
- Em contrapartida, o cálculo costuma ser menos vantajoso por causa de fatores de redução. Ainda assim, pode ser a melhor saída para alguns perfis.
- Pedágio de 100%
- Precisa de idade mínima (57 mulher, 60 homem) e pagar o dobro do tempo que faltava.
- Se faltavam 10 meses, você contribui 20 meses.
- Em geral, o valor do benefício é melhor que no pedágio de 50%. Por isso, vale simular os dois.
E o valor da aposentadoria, como é calculado?
Depois da reforma, a base mudou. Em linhas gerais:
- A média considera praticamente todos os salários de contribuição desde 1994 (ou desde o início das contribuições), não só os maiores.
- Sobre essa média, aplica-se um percentual que começa em 60% e cresce conforme o tempo de contribuição adicional.
- Resultado: quem tem poucas contribuições altas e muitas baixas pode ver a média cair. Por isso, contribuições recentes bem planejadas fazem diferença.
Dito isso, cada regra de transição tem seus detalhes de cálculo. Portanto, simular no Meu INSS ajuda muito a comparar os cenários.
Quem deve sentir mais o impacto agora
- Quem está “no fio da navalha”: faltando poucos meses para fechar tempo, idade ou pontos.
- Mulheres entre 58 e 60 anos e homens entre 63 e 65 anos, com longo tempo de contribuição, porque pequenas mudanças de idade ou pontos podem segurar o pedido.
- Quem mudou de emprego, ficou períodos sem contribuir ou tem contribuições inconsistentes, já que ajustes cadastrais podem atrasar ainda mais.
Na prática: como se preparar sem dor de cabeça
- Confirme seus dados no Meu INSS
- Entre no Meu INSS, baixe o CNIS e veja se há “pendências” (empregos sem data de saída, salários faltando, CNPJ errado).
- Se tiver erro, resolva já: peça ao antigo empregador a correção ou junte documentos (contrato, holerites, carteira de trabalho).
- Faça simulações comparando regras
- Simule idade progressiva, pontos e pedágios.
- Avalie prazo para cumprir cada uma e o valor estimado do benefício.
- Organize um “kit aposentadoria”
- Documentos básicos: RG, CPF, comprovante de residência.
- Carteira de trabalho, carnês/GUIAS de contribuição, holerites, contratos, certidões.
- Comprove atividades especiais (se houver): PPP, laudos, etc.
- Ajuste a estratégia de contribuição
- Autônomos e MEIs: verifiquem se a alíquota escolhida contará para a regra desejada.
- Se faltar pouco, pode valer contribuir em cima de um valor que melhore a média. Contudo, faça as contas.
- Planeje o momento do pedido
- Às vezes, esperar alguns meses aumenta a renda para sempre.
- Outras vezes, pedir logo evita cair em regra mais dura no ano seguinte.
- Portanto, simule com datas diferentes.
- Peça uma segunda opinião
- Um especialista pode enxergar detalhes que passam batido, especialmente em casos com períodos no exterior, atividades especiais ou muitos vínculos.
Perguntas rápidas
- Vou me aposentar em 2026. É pior do que 2025?
- Em geral, sim, porque a idade mínima e os pontos sobem. Ainda assim, dependendo da sua situação, a diferença de valor pode ser pequena. Logo, simule antes de decidir.
- Dá para “travar” a regra de um ano para usar no seguinte?
- Normalmente, não. A regra considerada é a da data do pedido ou da data em que você cumpriu todos os requisitos. Por isso, se em dezembro você cumpre e em janeiro não, vale pedir antes.
- Quem já tinha direito antes da reforma perdeu?
- Não. Quem cumpriu tudo antes da mudança tem direito adquirido. Contudo, é preciso comprovar.
- Se eu contribuir mais alguns meses, melhora o valor?
- Muitas vezes, sim. Porque aumenta a média e, em certos casos, o percentual aplicado. Entretanto, cuidado para não contribuir sem estratégia.
Box de serviço
- Onde ver seus dados: Meu INSS (site e app).
- O que baixar: Extrato CNIS e simulações de aposentadoria.
- Palavras-chave para buscar: “Regra dos pontos”, “Idade progressiva”, “Pedágio 50%”, “Pedágio 100%”, “CNIS”, “PPP” (para atividade especial).
- Dica final: guarde cópias digitais dos documentos. Assim, quando o INSS pedir, você envia na hora.
Em resumo
As regras sobem todo ano e, em 2026, sobem de novo. Portanto, quem está perto de se aposentar precisa redobrar a atenção. Além disso, simular cenários agora evita sustos depois. Por fim, organizar documentos e corrigir o CNIS com antecedência costuma ser a diferença entre um processo rápido e uma longa espera.
Nota importante: As informações acima são de caráter geral e não substituem aconselhamento jurídico ou previdenciário individualizado. Para casos específicos ou urgentes, procure um especialista.
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