O atentado que chocou Campo Mourão na última sexta-feira, dia 17, está diretamente ligado ao tráfico de drogas e à disputa pelo controle do crime organizado na região. Dezenas de homicídios nos últimos anos têm relação com essa guerra entre facções rivais. O adolescente de 16 anos se apresentou à polícia nesta segunda-feira e confessou o crime. Contudo, a investigação já aponta para uma trama muito mais complexa do que uma simples vingança.
O menor alegou que agiu por vingança contra Veridiana Gaya Menin Machado Sate, única vítima que ele pretendia atingir. No entanto, os disparos mataram Márcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38, que nada tinham a ver com a briga entre grupos criminosos. Além disso, três pessoas permanecem internadas, e Veridiana luta pela vida na Santa Casa de Campo Mourão. Dessa forma, a tragédia atingiu não apenas o alvo principal, mas também inocentes que estavam no local.
O ataque ocorreu de forma friamente calculada: o adolescente se aproximou, sacou a pistola e atirou contra o comércio. As câmeras de segurança mostraram o desespero de funcionários e clientes, que se jogaram no chão para tentar se proteger. O dono da lanchonete, Cleverson, apareceu nas imagens assando carne ao lado de uma das vítimas fatais momentos antes do atentado. Por isso, a cena chocou ainda mais os familiares que reconheceram os entes queridos nas gravações.
A polícia já havia identificado o menor no final de semana e obteve um mandado de apreensão com rapidez. O adolescente chegou à delegacia acompanhado de uma advogada e entregou a arma do crime (foto). Todavia, os investigadores descobriram que ele não é um atirador de primeira viagem: uma vítima de uma tentativa de homicídio ocorrida em maio já o reconheceu oficialmente como autor dos disparos. Consequentemente, as suspeitas sobre seu envolvimento em outros crimes aumentaram significativamente. Além do mais, ele também figura como investigado em um homicídio ocorrido na cidade.
Durante as buscas na residência da família, a polícia encontrou munições, drogas e um material explosivo. O esquadrão antibombas precisou atuar para apreender os artefatos. A mãe do adolescente foi encaminhada à delegacia e permanece detida. A versão apresentada pelo menor sobre a origem dos explosivos não convenceu os investigadores. Sendo assim, eles continuam apurando a procedência real desse material.
As autoridades continuam apurando se a motivação do crime realmente foi vingança ou se há outros interesses por trás do atentado. A investigação ganhou novos contornos com a descoberta de que Veridiana é ex-companheira de Abdul Karimat, conhecido como “Turco”. Ele é um dos criminosos mais temidos da região e está preso desde janeiro deste ano. Portanto, a hipótese de uma ordem vinda da prisão ganha cada vez mais força. Por outro lado, a ex-companheira dele se aliou a um grupo rival após a separação.
Abdul Karimat lidera um grupo envolvido em pelo menos 40 assassinatos. Ele ficou oito anos foragido até ser preso em Matinhos, no litoral do Paraná. Após se separar dele, Veridiana se aliou a Rafael de Almeida, o “Zulu”, que também integrava o crime organizado. Zulu morreu em novembro de 2024 em um confronto com a Polícia Militar em Campo Grande (MS). Assim, a aliança entre os dois grupos se desfez com a morte do líder. Consequentemente, a disputa pelo território ficou ainda mais acirrada.
A polícia não confirma oficialmente, mas investiga se o atentado contra a ex-companheira de Turco pode ter origem em uma ordem dele ainda da prisão. Essa suspeita ganha força com outra execução ocorrida em março de 2025: Adriana Rodrigues da Silveira, amiga de Veridiana, foi assassinada a tiros. Até agora, o caso segue sem solução. Por outro lado, a morte de Marcela Tunerman, em janeiro de 2025, também aparece na lista de crimes ligados à disputa. Dessa maneira, a rede de homicídios só aumenta na região.
Márcio e Michael eram comerciantes conhecidos e respeitados em Campo Mourão. Eles frequentavam a lanchonete com amigos e não tinham qualquer envolvimento com a criminalidade. O adolescente monitorou Veridiana pelas redes sociais, descobriu onde ela estaria e seguiu até o local para executar o atentado. Infelizmente, o menor errou o alvo e acabou matando pessoas inocentes que estavam no lugar errado na hora errada.
A violência do crime e a frieza do atirador chocaram a cidade inteira. O proprietário do estabelecimento já reparou os danos materiais, mas as marcas deixadas na comunidade dificilmente desaparecerão com o tempo. Cleverson, dono da lanchonete, afirmou que as imagens sempre ficarão na memória de todos. Contudo, ele espera que o tempo possa trazer algum conforto às famílias enlutadas. Afinal, a dor da perda de entes queridos inocentes é imensurável.
O adolescente permanece apreendido e será encaminhado ao sistema socioeducativo. Ele já passou por audiência com o Ministério Público e aguarda decisão do juiz da Vara da Infância e Juventude. A Polícia Civil segue com diligências para identificar se outras pessoas participaram do planejamento ou da execução do crime. Além disso, os investigadores buscam confirmar a origem da arma utilizada no atentado.
As investigações agora buscam confirmar a possível ligação do menor com outros homicídios ocorridos na cidade. O atentado expôs a fragilidade da segurança em meio a uma guerra que já dura anos. Enquanto isso, as famílias das vítimas tentam encontrar algum conforto para uma dor que parece não ter fim. Afinal, a violência que atinge inocentes deixa marcas profundas em toda a comunidade. Portanto, a população cobra respostas e justiça das autoridades.
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