GOIOERÊ

Câmara de Goioerê devolve R$ 1,6 Milhão, mas ato revela falha no planejamento orçamentário

A Câmara Municipal de Goioerê devolveu R$ 1,6 milhão aos cofres da Prefeitura. Posteriormente, realizou um ato simbólico na tarde desta segunda-feira (29). O presidente do Legislativo, Joaquim da Ambulância, entregou pessoalmente um cheque. Além disso, vereadores importantes acompanharam a cerimônia no gabinete.

O valor, por sua vez, representa economias acumuladas durante todo o ano de 2025. Conforme a Casa, esta devolução já se tornou uma tradição anual. Portanto, ela simboliza uma gestão responsável dos recursos públicos. O presidente Joaquim da Ambulância, em seguida, explicou a origem do montante.

Frutifica uma administração criteriosa e um controle rígido de gastos”, afirmou o parlamentar. Adicionalmente, ele destacou o compromisso com o uso correto do dinheiro. Dessa forma, a economia permite um retorno direto do recurso ao município. Consequentemente, a Prefeitura pode reinvestir o valor em áreas prioritárias.

O prefeito Pedro Coelho, então, recebeu o cheque com agradecimentos públicos. Imediatamente, ele elogiou a parceria constante com o Poder Legislativo. “Temos muito a agradecer pela responsabilidade da Câmara”, disse Coelho. Segundo ele, o valor reforçará setores como saúde e infraestrutura urbana.

Os vereadores Maik Ramalho e Leo da Autoescola testemunharam a entrega. Eles, igualmente, reforçaram o compromisso conjunto com a transparência. Da mesma forma, a eficiência administrativa foi um ponto unânime entre os presentes. Por fim, a valorização dos recursos públicos encerrou a fala dos parlamentares.

Uma obrigação legal, mas um sintoma de ineficiência


A princípio, a devolução parece um ato de louvável responsabilidade fiscal. No entanto, ela revela uma falha fundamental no planejamento. Afinal, a Lei de Responsabilidade Fiscal exige a devolução de saldos não utilizados. Assim, o Legislativo cumpriu apenas sua obrigação legal.

A verdadeira questão, contudo, reside no volume do recurso devolvido. Um montante de R$ 1,6 milhão não é, em tese, residual. Ele representa, na prática, uma expressiva sobra orçamentária. Esse dinheiro, portanto, circulou desnecessariamente entre os Poderes durante todo o ano.

Recursos parados não servem à população


Primeiramente, o dinheiro público precisa gerar serviços e investimentos constantemente. Enquanto isso, ele ficou parado no orçamento da Câmara. Em outras palavras, esse valor não realizou exames médicos para a população. Da mesma forma, não comprou medicamentos para a rede municipal de saúde.

O recurso, além disso, não melhorou a remuneração dos servidores públicos. Simultaneamente, não investiu em limpeza urbana ou asfaltamento. O capital, simplesmente, aguardou em conta até o final do exercício financeiro. Em resumo, essa imobilização fere o princípio da eficiência da administração pública.

A necessidade de um orçamento realista


O episódio, em síntese, demonstra uma clara superestimação das necessidades da Câmara. Se a Casa opera com uma economia tão significativa, seu orçamento precisa de revisão. Logo, a transferência inicial da Prefeitura para o Legislativo pode ser menor. Desse modo, um planejamento mais preciso evitaria o excesso de repasses.

A Câmara deve, portanto, refazer sua proposta orçamentária para os próximos anos. Ela precisa, sobretudo, se basear nos custos reais de sua operação anual. Um estudo técnico detalhado, por exemplo, pode dimensionar com exatidão suas despesas. Dessa maneira, o Poder Legislativo evitaria retenções desnecessárias de verba.

Transparência precisa vir junto com eficiência


A transparência na devolução é importante, mas é uma etapa final. Por outro lado, a eficiência precisa acontecer durante todo o processo orçamentário. Naturalmente, o diálogo entre Executivo e Legislativo deve começar na elaboração da lei. O objetivo final, com efeito, é calibrar os repasses de forma justa e técnica.

O dinheiro economizado deve, de fato, beneficiar a população agora. Contudo, a lição maior é preventiva. Goioerê não pode, sob nenhuma hipótese, se dar ao luxo de ter recursos ociosos. Cada real, consequentemente, deve trabalhar desde o primeiro dia do ano. Em última análise, a devolução é o fechamento de um ciclo de ineficiência.

Portanto, o ato de hoje serve mais como alerta do que como celebração. A sociedade deve, assim, cobrar um planejamento orçamentário rigoroso para 2026. O verdadeiro mérito, finalmente, não será devolver, mas sim não precisar devolver. A boa gestão pública, decididamente, se mede pela aplicação integral e tempestiva dos recursos.

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Redação 104 News

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