POLÍTICA

Cassação de vereadora em Moreira Sales por compra de votos

A Justiça Eleitoral cassou o mandato da vereadora Priscila Mello de Assis, conhecida como Priscilla Albano, por abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2024 em Moreira Sales (PR). Além disso, a sentença — proferida em 20/02/2026 — declarou a vereadora inelegível por oito anos e impôs multa de R$ 53 mil. A cabo eleitoral Edina de Brito Frasson também foi condenada nas mesmas bases. Por outro lado, o prefeito Luiz Volpato foi absolvido. As condenadas podem recorrer.

O que diz a decisão e quais as penas

A decisão reconheceu a prática de abuso de poder econômico relacionada à compra de votos. Conforme a sentença, a Justiça cassou o diploma de vereadora de Priscilla Albano e fixou sua inelegibilidade por oito anos, contados do pleito de 2024. Além disso, o juízo aplicou multa no valor de R$ 53 mil tanto para a parlamentar quanto para a cabo eleitoral Edina Frasson. Assim, o efeito político e financeiro da condenação é imediato, embora ainda caibam recursos.

Segundo a Justiça Eleitoral, o conjunto probatório sustentou a conclusão de que houve captação ilícita de votos. Entretanto, a decisão ressalvou que o prefeito Luiz Volpato, que figurava na mesma ação, não teve provas suficientes para responsabilização e, portanto, foi absolvido. Logo, o processo produziu desfechos distintos para os envolvidos.

Ainda, a corte destacou que a preservação da liberdade do voto e a isonomia na disputa impõem resposta enérgica a práticas que distorcem a vontade popular. Desse modo, a sentença busca inibir condutas que, por sua natureza, desequilibram o jogo eleitoral e atingem diretamente a integridade do pleito.

Como, segundo o MP, funcionava o esquema investigado

Em 2025, o Ministério Público Eleitoral (MPE) já havia requerido a cassação de mandatos no caso de Moreira Sales. De acordo com a apuração conduzida pelo promotor André Ruiz Prates, a servidora pública Edina Frasson teria oferecido R$ 100 a eleitores em troca de votos, sob o disfarce de um “trabalho” no dia da eleição. Além disso, as investigações apontaram o uso de informações obtidas no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para abordagem de pessoas em situação de vulnerabilidade. Também houve menção a registros de captação de votos na chamada “fila do leite”. Naquele momento, o pedido do MP alcançava o prefeito Luiz Volpato, o vice Rafael Maestá Pastel e a vereadora Priscilla Albano.

Na decisão agora proferida, a Justiça Eleitoral entendeu procedente a acusação em relação à vereadora e à cabo eleitoral, mas não acolheu a responsabilização do prefeito. Portanto, a narrativa do MPE sobre a dinâmica da compra de votos se manteve como eixo central para a condenação de Priscilla e Edina, enquanto as provas não bastaram para condenar Volpato.

Prefeito é absolvido; defesa pode recorrer

Embora o Ministério Público tenha incluído o chefe do Executivo municipal na ação por suposto abuso de poder político e econômico, a Justiça absolveu o prefeito Luiz Volpato. De acordo com a sentença, as provas não permitiram confirmar sua atuação e a prática de compra de votos. Assim, ele permanece no cargo e sem condenação no caso.

A defesa de Priscilla Albano e de Edina Frasson ainda pode recorrer às instâncias superiores. Entretanto, até trânsito em julgado em sentido contrário, valem os efeitos políticos da condenação, inclusive a inelegibilidade.

Linha do tempo do caso

  • 2024 — Eleições municipais: Priscilla Albano se elege vereadora com a maior votação do município.
  • 03/11/2025 — O Ministério Público Eleitoral pede a cassação de mandatos do prefeito Luiz Volpato, do vice Rafael Maestá Pastel e de Priscilla Albano, citando suposta compra de votos e uso indevido de estrutura pública. Segundo a apuração, Edina Frasson ofereceria R$ 100 a eleitores e se valeria de informações do CRAS; também haveria registros na “fila do leite”.
  • 20/02/2026 — A Justiça Eleitoral condena Priscilla Albano e Edina Frasson por abuso de poder econômico, cassa o diploma da vereadora, fixa inelegibilidade por oito anos e aplica multa de R$ 53 mil a cada uma. O prefeito Luiz Volpato é absolvido. Cabe recurso.

    Leia mais:
Redação 104 News

Recent Posts

Prefeito Pedro Coelho anuncia Leitão Maturado, R$80 o prato e shows grátis na Expo Goio

Entrevista exclusiva na 104 FM revela preparativos do evento, obras de infraestrutura e situação da…

8 horas ago

Pastor Neymar compartilha trajetória no podcast Gerson Convida

Pastor Neymar Gomes da Silva revela sua trajetória de 11 anos em Goioerê. Podcast Gerson…

10 horas ago

ACIG lança campanha “Comprar Aqui Vale Mais” – R$ 120 mil em prêmios e sorteio de carro 0 km

Campanha 2026 é a primeira da gestão de Adenilson Rocha e aposta na valorização do…

12 horas ago

Descaminho rende apreensão de anabolizantes na PR-317

Polícia flagra descaminho e apreende anabolizantes, perfumes e medicamentos. Produtos avaliados em R$ 25 mil.

12 horas ago

Posse ilegal de arma termina em prisão

Caso de posse ilegal de arma leva à prisão de homem de 42 anos. Polícia…

13 horas ago

Mandado de prisão leva homem ao sistema penitenciário

Polícia cumpre mandado de prisão contra homem de 42 anos em Goioerê. Suspeito responde por…

15 horas ago