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Classe C lidera empreendedorismo no Brasil, aponta estudo do Sebrae

Pesquisa do Instituto Locomotiva revela que quase metade dos donos de negócios pertence à classe média. Flexibilidade e autonomia são os principais atrativos.

Redação 104 News

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Classe C lidera empreendedorismo no Brasil, aponta estudo do Sebrae

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Quase metade dos empreendedores ou donos de negócios do Brasil pertence à classe C, a chamada classe média. O dado consta em um estudo elaborado pelo Instituto Locomotiva em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Primeiramente, a pesquisa revelou uma mudança significativa na percepção sobre o empreendedorismo. Além disso, o estudo aponta que a atividade deixou de ser vista como fonte alternativa momentânea ou emergencial. Consequentemente, ela se consolida como uma aspiração de trabalho fundamentada no desejo de ascensão social.

Motivações para abrir o próprio negócio

Os principais fatores que levam as pessoas a empreender são flexibilidade e autonomia. Além disso, a expectativa de ganhos superiores também pesa na decisão. Para os interessados, abrir o próprio negócio pode oferecer melhores condições de vida. Dessa forma, muitos buscam evitar longas jornadas de trabalho e deslocamentos exaustivos. O ambiente de trabalho tóxico ou abusivo, por sua vez, também impulsiona essa escolha. A autonomia, portanto, torna-se um valor central.

Sebrae celebra consolidação do setor

O presidente do Sebrae, Décio Lima, destacou a importância do empreendedorismo para o país. “O sonho de ser dono do próprio negócio motiva milhões de homens e mulheres”, afirmou Lima. Além de sustentar suas famílias, esses empreendedores geram emprego e renda. Eles também criam inclusão social e mobilizam comunidades inteiras. No entanto, Lima ressaltou que o crescimento do setor depende de fomento e ambiente legal adequado. Políticas públicas, portanto, precisam garantir acesso a crédito, inovação e capacitação.

Distinção entre tipos de empreendedorismo

O economista e pesquisador Euzébio de Sousa, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), trouxe uma visão mais detalhada. Para ele, nem toda abertura de CNPJ expressa iniciativa empreendedora genuína. Primeiramente, é preciso distinguir o empreendedorismo associado à inovação e à ampliação da capacidade produtiva. Além disso, existem formas de trabalho subordinado disfarçadas de autonomia, organizadas por meio da pejotização. O empreendedorismo por necessidade, por sua vez, configura outra realidade.

Empreendedorismo por necessidade preocupa

O pesquisador explicou que o empreendedorismo por necessidade ocorre quando a pessoa abre um negócio por falta de opção no mercado de trabalho. Essa situação, segundo ele, é comum em contextos de desemprego, informalidade elevada e baixos salários. Além disso, a precarização do trabalho e a ausência de proteção social também impulsionam essa modalidade. “O empreendedorismo não pode decorrer da pobreza ou da ausência de alternativas”, afirmou Sousa.

Inovação versus subsistência

Quando o empreendedorismo surge da pobreza, alerta o economista, não se trata da versão inovadora capaz de promover desenvolvimento. Trata-se, na verdade, de estratégias defensivas de sobrevivência. Essas atividades ocorrem em um contexto de forte precariedade social e ocupacional. Consequentemente, o impacto econômico e social difere significativamente. O estudo do Sebrae, portanto, revela tanto conquistas quanto desafios para o setor. O apoio adequado, por fim, pode transformar a realidade de milhões de brasileiros.

Fonte: AGÊNCIA BRASIL

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