Diretor do IFPR alerta que Goioerê poderá ter apenas 23 mil habitantes
Estimativa de redução da população de Goioerê, segundo o IPARDES, é preocupante e exige ações coletivas, afirma diretor do IFPR.

O êxodo populacional exige um novo olhar sobre o desenvolvimento de Goioerê e da região. Esse foi o alerta do diretor do Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus Goioerê, professor Gabriel Quinato, em discurso na Câmara de Vereadores. Ele pediu apoio do Legislativo para o campus e para o município. Dessa forma, o professor apresentou dados que preocupam quem pensa no futuro da cidade. Além disso, estendeu o debate a outras instituições de ensino, ao comércio e à sociedade como um todo.
Campus já atendeu quase 1.500 estudantes

O IFPR está em Goioerê desde 2014. Desde o início das atividades, o campus atendeu cerca de 1.500 estudantes. Desse total, aproximadamente 800 a 900 foram alunos do ensino médio dos cursos técnicos integrados. Hoje, o instituto recebe estudantes de Goioerê, Moreira Sales, Rancho Alegre do Oeste, Janiópolis, Quarto Centenário e Juranda. Paralelamente, a instituição oferece o curso técnico integrado em informática e o curso técnico em produção de moda, que está se encerrando. Para 2028, a previsão é ofertar cursos superiores, como tecnólogo em análise e desenvolvimento de sistemas, agronomia e licenciatura em pedagogia.
Alunos qualificados deixam a região
Quinato fez uma pergunta aos vereadores sobre o destino desses estudantes. Segundo ele, a maioria dos egressos do instituto vai embora da cidade. Contudo, não são apenas alunos das classes A e B que já faziam isso. São estudantes das classes C e D, que o IFPR atende. Por conseguinte, o município perde jovens qualificados todos os anos. O diretor citou exemplos de alunos que hoje trabalham para grandes empresas, como o BTG Pactual, de forma remota. Além disso, uma estudante do Jaracatiá foi enviada para intercâmbio em Portugal. Dessa forma, o instituto “paga pela própria eficiência”, segundo ele.
Previsão do Ipardes aponta queda populacional

O professor apresentou dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Se o município mantiver o ritmo de crescimento dos últimos anos, a população de Goioerê cairá para 22.740 habitantes até 2050. Hoje, a cidade tem cerca de 28 mil habitantes. Por isso, o diretor alertou que o IFPR terá dificuldades para se manter em um município com 23 mil pessoas. Além disso, o problema afeta instituições privadas, outras escolas públicas e o comércio local. Afinal, a população economicamente ativa deixa a cidade em busca de emprego em centros maiores.
Êxodo afeta comércio e serviços
Quinato lembrou a discussão recente sobre lojas fechadas e comércio vazio. Ele questionou o que acontecerá se a população cair para 23 mil habitantes. Consequentemente, a cidade pode se tornar um “dormitório”, com muitos idosos e crianças, mas sem população economicamente ativa. Dessa forma, o consumo no comércio, nos aluguéis, nas farmácias e nos mercados diminui. Paralelamente, o diretor afirmou que o IFPR perde de quatro a cinco estudantes por ano, cujas famílias se mudam por causa da empregabilidade. Enquanto isso, a geração de emprego e renda surge como caminho para reverter o êxodo populacional.
Que desenvolvimento a sociedade quer construir
O discurso do diretor levanta uma pergunta que vai além do campus e do comércio. Que desenvolvimento a sociedade de Goioerê quer construir para as próximas décadas? Afinal, crescer não significa apenas atrair empresas ou aumentar o número de habitantes. O desenvolvimento exige qualidade de vida, cultura, lazer, mobilidade e oportunidades para os jovens. Além disso, demanda planejamento de longo prazo e a participação de todos os setores. Por outro lado, a cidade precisa criar um ambiente que retenha talentos e atraia novos moradores. Dessa forma, o município pode romper o ciclo de estagnação e retomar o crescimento.

Caminhos possíveis para reagir
A reversão do êxodo populacional não depende de uma única ação. Por isso, o município pode investir em arranjos produtivos locais e na diversificação da economia. Além disso, parcerias entre poder público, instituições de ensino e iniciativa privada se tornam essenciais. Paralelamente, a qualificação profissional deve acompanhar as demandas do mercado. Outro caminho é fortalecer a agricultura familiar e o turismo regional. Enquanto isso, a sociedade civil pode cobrar políticas públicas eficientes e transparentes. Por fim, a integração entre os municípios da Comcam amplia a força das reivindicações e das soluções conjuntas.
Pedido de apoio aos vereadores
O diretor pediu ajuda aos parlamentares para melhorar a infraestrutura do campus. Ele citou a Lei 2.679 de 2019, aprovada no primeiro mandato do prefeito Pedro Coelho, que permite ao município fazer benfeitorias na instituição.. Por fim, Quinato convidou os vereadores a conhecerem o campus e reforçou que a instituição é apartidária e está de braços abertos para quem quiser ajudar.

O futuro exige escolhas coletivas
O alerta do professor Gabriel Quinato não se limita ao IFPR. Ele convida toda a sociedade a refletir sobre o futuro da cidade. Afinal, o êxodo populacional já está em curso e afeta a economia, a educação e os serviços públicos. Dessa forma, o momento exige escolhas coletivas e coragem para enfrentar problemas estruturais. Por outro lado, a cidade tem potencial, instituições e pessoas capazes de liderar essa transformação. Enquanto isso, a Câmara de Vereadores se torna um espaço estratégico para o debate. Por fim, o desenvolvimento de Goioerê depende da união entre poder público, setor produtivo, educação e comunidade. A pergunta que fica é simples e decisiva: qual cidade queremos construir para 2050?
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