Dores nas Costas: Um alerta para a saúde da coluna – com Dr. Guilherme Martins
Doenças degenerativas, má postura, automedicação: o ortopedista revela o que você precisa saber sobre o assunto

É quase uma unanimidade: em algum momento da vida, a dor nas costas surge como uma visitante indesejada. Mas o que ela realmente significa? Quando devemos nos preocupar? E, mais importante, como podemos preveni-la e tratá-la? Essas foram as principais questões abordadas no programa “Almanaque” da 104 FM, que recebeu o Dr. Guilherme Martins, médico ortopedista, para um bate-papo sobre um dos problemas de saúde mais comuns da atualidade.
O programa trouxe informações valiosas para os ouvintes, e agora, o 104.news desdobra os principais pontos para você. Vamos falar sobre a saúde da sua coluna!
A Epidemia Silenciosa: 80% da população sentirá dor nas costas
Dr. Guilherme Martins iniciou a conversa com um dado impactante: “Existe um estudo que mostra que até 80% da população em algum momento da vida vai sentir alguma dor nas costas, então é extremamente comum.” Este número sublinha a relevância do tema e a necessidade de desmistificar suas causas e tratamentos.
Ao se deparar com a dor, a primeira dúvida que surge é: “É problema ortopédico? É muscular? Ou pode ser outra coisa?”. O Dr. Guilherme enfatizou que, embora a primeira busca seja geralmente pelo ortopedista, a dor nas costas nem sempre está ligada a problemas na coluna. Ele citou causas como cálculo renal (pedra nos rins) e problemas ginecológicos em mulheres, que podem irradiar para a região lombar.

A localização da dor pode dar pistas. Dores mais laterais, por exemplo, podem estar relacionadas aos rins, especialmente se acompanhadas de alterações urinárias como ardência ao urinar. Já as dores ginecológicas podem irradiar para a frente ou vir junto com alterações menstruais. Contudo, o médico é categórico: “A causa mais comum, sem dúvida alguma, são os problemas ortopédicos, que são os desgastes, as doenças degenerativas”
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Quando procurar ajuda médica? O Corpo Fala
A dor é um sinal de alerta do corpo. O Dr. Guilherme é enfático: “A dor é o teu corpo dizendo para você que tem algo que não está certo.” Portanto, ao sentir dor nas costas, a recomendação é sempre procurar um médico. A intervenção precoce é fundamental, especialmente porque a maioria dos problemas degenerativos da coluna são crônicos e sem cura definitiva. O tratamento inicial visa “segurar um pouco esse desgaste”, freando sua velocidade com medidas de fortalecimento, perda de peso e hábitos de vida saudáveis.
Diante de uma dor desconfortável, a dúvida sobre qual especialista procurar é comum. O clínico geral é o ponto de partida ideal. Ele fará uma avaliação inicial, entrará com o tratamento primário para aliviar a crise e, se necessário, encaminhará o paciente ao ortopedista para um tratamento secundário mais específico.
As vilãs ortopédicas: Desgaste, Hérnia de Disco e Fraqueza Muscular
Chegando ao ortopedista, as causas mais frequentes de dor na coluna são identificadas:
- Desgaste degenerativo: O envelhecimento natural das estruturas da coluna.
- Fraqueza muscular: Músculos abdominais e do tronco enfraquecidos não oferecem suporte adequado.
- Instabilidade ligamentar: Ligamentos frouxos que não conseguem manter a coluna estável.
- Hérnia de disco: Uma “bexiga com água que estufa” e comprime os nervos que saem da coluna.
Um exemplo notório é o nervo ciático, responsável por dores que podem irradiar da coluna para a região glútea, a perna e até o pé, causando sensação de choque. O Dr. Guilherme usa uma analogia simples: “É como se fosse um interruptor de lâmpada. A gente aperta o interruptor aqui, mas a lâmpada acende lá em cima.” A compressão do nervo na coluna pode gerar dor em locais distantes.
O diagnóstico envolve um exame físico detalhado, onde o médico consegue identificar a origem do problema. Exames de imagem, como radiografias, tomografias ou ressonâncias, são solicitados em casos específicos – quando há suspeita de artrose, dores muito recorrentes, várias crises, ou quando há perda de força ou sensibilidade nos membros. No entanto, o médico ressalta que nem sempre exames de imagem são necessários, especialmente em casos primários ou não recorrentes, pois muitas vezes o tratamento conservador é a primeira linha de ação.
O poder do tratamento conservador e o perigo da automedicação
A maioria dos casos de dor nas costas melhora significativamente com o tratamento conservador, que inclui:
- Medicações: Anti-inflamatórios e relaxantes musculares para aliviar a dor na fase aguda.
- Fisioterapia: Essencial para fortalecer a musculatura e estabilizar a coluna.
- Fortalecimento: Exercícios específicos para a cadeia abdominal e musculatura das pernas.
- Perda de peso: Reduz a sobrecarga na coluna.
- Mudança de hábitos: Alimentação saudável e prática regular de exercícios.
Dr. Guilherme alerta sobre a dificuldade de aderir a essas mudanças: A colaboração do paciente é crucial, pois não existe um “remédio mágico” para resolver o problema.
A automedicação é veementemente desencorajada. Embora as dores na coluna possam ser intensas e levar ao uso de remédios , inclusive de uso veterinário, o médico adverte: “Você está resolvendo um problema, mas criando um outro, talvez nos rins ou no fígado. Além disso, o remédio alivia o sintoma, mas não resolve a causa do problema. O acompanhamento médico é indispensável para evitar efeitos colaterais e garantir a eficácia do tratamento.
Postura e ergonomia: Detalhes que fazem a diferença
“Na coluna, tudo importa”, afirma o Dr. Guilherme. Pequenos hábitos diários podem ter um grande impacto. A ergonomia no trabalho e em casa é fundamental:
- Monitores: Devem estar na altura dos olhos para evitar curvar o pescoço.
- Celular: O uso excessivo com o pescoço curvado para baixo é uma das principais causas de problemas cervicais.
- Levantar pesos: A maneira correta é agachar com a coluna reta e os joelhos flexionados, em vez de dobrar a coluna.
- Colchão e travesseiro: Colchões muito macios ou deformados, e travesseiros muito altos ou moles, podem prejudicar a postura durante o sono.
- Banco do carro: A coluna deve estar toda encostada no banco, que deve estar numa posição confortável e reta, com os cotovelos a cerca de 90 graus em relação ao volante.

Sobre colchões, o ortopedista sugere um modelo firme, mas confortável, que não permita que o corpo afunde. Ele recomenda girar o colchão anualmente e considerar a troca a cada cinco anos. A ideia de um “colchão ortopédico” ou com muitas tecnologias, pode ser mais marketing do que garantia de qualidade.
Quanto ao travesseiro e posição de dormir, a melhor maneira é deitar de barriga para cima, com um travesseiro que mantenha a coluna reta – geralmente mais baixo e firme. Dormir de lado também é aceitável, desde que o travesseiro tenha a altura do ombro para alinhar a coluna. Dormir de bruços é a pior posição, e dormir com as pernas desalinhadas (uma à frente da outra) causa rotação da coluna, o que deve ser evitado. Um travesseiro entre os joelhos pode ajudar a manter o alinhamento para quem dorme de lado.
Escoliose, Lordose e Cifose: O cuidado começa na infância
As famosas “oses” da coluna – lordose, cifose e escoliose – são desvios relacionados à anatomia.
- Lordose: Curvatura natural da coluna para trás (vista de lado).
- Cifose: Curvatura mais acentuada, como a “corcunda do gato”.
- Escoliose: Um desvio da coluna em 3D, que a faz parecer um “S”.
A escoliose, em particular, é muito comum em crianças. O diagnóstico precoce na infância é crucial, pois medidas como fisioterapia, coletes e, em casos graves, cirurgia, podem corrigir o desvio e prevenir desgastes precoces na vida adulta. Pais devem estar atentos a sinais como ombros em alturas diferentes, quadril desviado, ou a coluna visivelmente torta quando a criança tenta tocar os pés. Muitos casos de escoliose infantil são assintomáticos, o que reforça a importância da observação parental e do acompanhamento médico.
Fortalecimento é a chave: Pilates, academia e hidroterapia
A recomendação do Dr. Guilherme é escolher uma forma de fortalecimento. O foco principal é o fortalecimento da musculatura abdominal e das pernas. Existem diversas opções para isso:

- Fisioterapia: Como tratamento terapêutico inicial.
- Pilates: Excelente para o fortalecimento abdominal e estabilização da coluna.
- Academia: Musculação bem orientada.
- Hidroterapia: Exercícios na água que reduzem o impacto nas articulações.
O médico reforça que o importante é a continuidade do fortalecimento e a manutenção de um peso saudável.
Conclusão: Cuidar da coluna é cuidar da vida
A dor nas costas é um problema multifacetado que exige atenção e cuidado. A conversa com Dr. Guilherme Martins no “Almanaque” da 104 FM, agora também disponível no 104.news, deixou claro que a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são as melhores ferramentas para garantir uma coluna saudável e uma vida sem limitações. Não ignore os sinais do seu corpo, invista em bons hábitos e procure sempre a orientação de profissionais de saúde. Sua coluna agradece!
O Dr. Guilherme Martins é médico ortopedista e atende no Hospital Santa Maria de Goioerê. Para agendar uma consulta, entre em contato com o hospital pelos telefones: (44) 3522-1144 ou 9 9866-0144 e ainda 99759-0957
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