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Escassez de diesel atinge 166 cidades e abril pode ser mês crítico para abastecimento

Importações podem cair com disparada dos preços externos. Petrobras mantém diesel 60,8% mais barato que o importado. Donos de postos em Goioerê enfrentam redução de cotas e temem agravamento.

Redação 104 News

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Escassez de diesel atinge 166 cidades e abril pode ser mês crítico para abastecimento

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Subiu para 166 o total de municípios gaúchos que relatam problemas relacionados à escassez de óleo diesel. O dado consta em boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), atualizado até as 9h desta quarta-feira, 25 de março. Primeiramente, na última quinta-feira (19), o número era de 142 cidades. Além disso, duas delas, Formigueiro e Tupanciretã, mantêm estado de emergência. Consequentemente, os 166 municípios afetados representam um terço das cidades do Estado.

Sinais de desabastecimento acendem alerta

A Famurs detalhou que recebeu retorno de 384 dos 497 municípios gaúchos. A capital, Porto Alegre, no entanto, não consta entre as cidades com problemas. De acordo com a federação, os sinais de desabastecimento acendem “um sinal de alerta para o funcionamento dos serviços essenciais”. Dessa forma, as prefeituras estão direcionando o combustível para áreas prioritárias, como saúde e transporte de pacientes. Obras e atividades que dependem de maquinário, por sua vez, já foram suspensas.

Abril pode ser mês crítico para o abastecimento

Especialistas e fontes ligadas à distribuição avaliam que abril pode se tornar um mês crítico para o abastecimento de combustíveis no país, especialmente do óleo diesel. A previsão para o mês que vem é de redução nas importações no Brasil, dada a disparada de preços no exterior. No entanto, o país depende do produto que vem de fora: o volume importado varia entre 25% e 30% da demanda mensal. O restante, complementado pela produção nacional, vem principalmente da Petrobras.

Petrobras mantém preço abaixo do mercado externo

Em um momento de forte variação nos preços no mercado externo, a preocupação cresce entre os importadores. Com a alta do diesel importado e sem aumentos da Petrobras, a compra no exterior pode deixar de compensar. De acordo com cálculos da StoneX, o diesel da estatal está 60,8% mais barato que o importado, uma diferença de R$ 2,20 por litro. A gasolina da companhia, por sua vez, está 61,2% mais barata, ou R$ 1,54 por litro. Consequentemente, os importadores reduzem a entrada do produto no país.

Reflexos da guerra no Irã pressionam mercado

A escassez no Sul e o aumento do preço do diesel em todo o país são reflexos diretos da guerra no Irã. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e Israel, afeta a cadeia global do petróleo. O óleo diesel, principal combustível para caminhões, ônibus e tratores, é o derivado que mais sente os impactos. Desde o início dos ataques, o preço do litro subiu cerca de 20%, conforme dados da ANP.

Ações do governo tentam conter alta

O governo federal adotou medidas para atenuar o repasse da alta global ao consumidor. Primeiramente, zerou as alíquotas dos tributos federais PIS e Cofins que incidem sobre o diesel. Além disso, criou uma subvenção de R$ 0,32 para cada litro produzido ou importado. A Petrobras, por sua vez, reajustou o preço em R$ 0,38 no dia 14 de março. No entanto, a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que as ações do governo suavizaram o impacto nas bombas.

Importações são planejadas com antecedência

Questionada, a Petrobras informou que planeja as importações com antecedência de dois a três meses. A empresa vai ao mercado para aquisição e transporte com essa antecedência. “Dentro deste processo, a Petrobras tem recebido normalmente as cargas, conforme as orientações de planejamento”, afirmou. Além disso, os contratos com as distribuidoras têm sido cumpridos sem alteração. As refinarias, portanto, operam em capacidade máxima e com soluções logísticas otimizadas.

Menos navios de diesel direcionados ao Brasil

Segundo Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), o monitoramento do mercado tem mostrado menos navios de diesel direcionados ao Brasil neste momento. Normalmente, a Petrobras importa diesel dos Estados Unidos, que leva cerca de 15 dias para chegar ao país. Com a redução das importações, a tendência é de agravamento da escassez. A entidade acompanha de perto a evolução do cenário.

Relatos de dificuldades chegam a Goioerê

Donos de postos de combustíveis em Goioerê relataram que, desde a semana passada, as distribuidoras enfrentam dificuldades para manter a cota de diesel de cada estabelecimento. A Abramilho, entidade que representa os produtores de milho, recebeu relatos de problemas de aquisição do combustível em diversos estados. As ocorrências vêm do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. Consequentemente, a escassez se espalha pelo país.

Fiscalização e combate a abusos

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que o cenário não indica falta de produtos, mas sim questões logísticas. O órgão, portanto, segue fiscalizando a cadeia de comercialização. Em outra frente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) inicia amanhã um plantão para apoiar Procons de todo o país. O objetivo é intensificar a fiscalização de preços abusivos de combustíveis. Dessa forma, o governo busca proteger o consumidor em meio à crise.

Com informações da AGÊNCIA BRASIL, ABICOM e ABRAMILHO.
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