Foto: Gabriel Rosa/AEN
Uma proposta apresentada por uma estudante do ensino médio no projeto Geração Atitude resultou na Lei nº 22.973, sancionada em 12 de fevereiro de 2026, que cria a Campanha Permanente Orienta Paraná. Com isso, o Estado institui um programa contínuo de orientação vocacional e profissional para alunos do ensino médio das redes pública e privada, com ações como oficinas, mentorias, testes vocacionais e visitas técnicas.
A trajetória que levou a orientação vocacional a se tornar política pública começou em União da Vitória. A estudante Rita de Cássia Lesnhak, do Colégio Padre Giuseppe Bugatti, apresentou a proposta no Geração Atitude, iniciativa da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e do Ministério Público do Paraná (MPPR). A sugestão venceu a edição de 2025 e, em seguida, ganhou apoio formal dos deputados Alexandre Curi (PSD), presidente da Alep, e Hussein Bakri (PSD), líder do Governo. Assim, o texto foi encampado no Legislativo e aprovado até a sanção do Executivo.
Embora a semente tenha surgido na sala de aula, a lei nasce com vocação ampla. Ela alcança escolas públicas e privadas, e, portanto, cria um ecossistema de apoio à decisão de carreira que pode reduzir erros de escolha. Além disso, o desenho privilegia a participação de universidades, conselhos profissionais e empresas, o que aproxima a escola do mundo do trabalho.
A Lei nº 22.973 institui a Campanha Permanente Orienta Paraná, com diretrizes claras e ações práticas. Entre as frentes previstas, o programa deverá:
Conforme o texto legal, a coordenação poderá ficar a cargo de Secretarias de Estado, em parceria com entidades públicas e privadas. A lei já está em vigor e, portanto, depende agora de regulamentação para detalhar fluxos, prazos e canais de acesso.
A orientação vocacional qualifica a tomada de decisão em um momento crítico da vida escolar. Assim, os estudantes ganham repertório para comparar caminhos, entender pré-requisitos e estimar desafios. Ao mesmo tempo, as escolas contam com uma estrutura organizada para integrar o projeto de vida às habilidades exigidas no século 21, como comunicação, resolução de problemas e colaboração.
Além disso, a política mira um problema recorrente no ensino técnico e superior: a evasão. Muitas desistências acontecem porque a escolha inicial não dialoga com perfil, expectativas e realidade do estudante. Com informações mais completas e com vivências práticas, a tendência é que os jovens acertem melhor na combinação entre talento, interesse e demanda do mercado. Consequentemente, cursos técnicos e graduações devem registrar trajetórias mais consistentes, o que beneficia as famílias, as instituições e as empresas que demandam mão de obra qualificada.
Para a rede privada, a lei também cria oportunidades. Escolas podem aderir às ações, firmar convênios, abrir suas portas a palestrantes e alinhar seus itinerários formativos ao Orienta Paraná. Desse modo, o ecossistema educacional paranaense tende a ganhar coesão e eficiência.
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Embora a lei esteja valendo, a regulamentação deverá esclarecer questões operacionais, como calendário de oficinas, critérios de acesso aos testes vocacionais, cadastro de mentores e formato das visitas técnicas. Até lá, escolas e estudantes podem se preparar.
Quando o Executivo publicar as regras, a orientação é acompanhar os canais oficiais do Governo do Paraná e da Secretaria de Educação (Seed-PR). Em paralelo, escolas podem registrar intenções de parceria e preparar espaços para oficinas e encontros com profissionais.
Os articuladores políticos destacaram que a lei simboliza a escuta ativa do Parlamento e a participação cidadã da juventude. Segundo a Alep, a construção coletiva amplia a qualidade das políticas públicas e aproxima o estudante da tomada de decisão. Já o projeto Geração Atitude, realizado pela Assembleia e pelo MPPR, enfatiza cidadania, democracia e voto consciente; agora, com o Orienta Paraná, amplia o foco para escolhas profissionais, sem perder a formação para a vida pública. Em síntese, a iniciativa conecta educação, trabalho e cidadania.
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