Irã desiste da Copa do Mundo e escancara crise com EUA
Ministro do Esporte do Irã confirma boicote após ataques e morte de líder supremo. FIFA avalia substituto para vaga no Grupo G. Trump garantiu que time seria bem-vindo.

O Irã não participará da Copa do Mundo de 2026. A informação partiu do ministro do Esporte, Ahmad Donyamali, em entrevista à TV estatal iraniana nesta quarta-feira (11) . A decisão ocorre em meio à escalada do conflito com Estados Unidos e Israel . Donyamali justificou a medida com base nos ataques recentes ao território iraniano.
“Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não temos condições de participar da Copa do Mundo”, declarou o ministro . Ele se referia aos bombardeios realizados por forças americanas e israelenses desde 28 de fevereiro . As ações militares resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país .
Além disso, Donyamali mencionou o impacto humano do conflito. “Por causa das medidas maliciosas contra o Irã, fomos forçados a travar duas guerras em oito ou nove meses. Milhares de nossos cidadãos morreram”, acrescentou . Portanto, a participação no torneio tornou-se inviável sob a ótica do governo iraniano.
Contexto geopolítico motiva boicote
Os bombardeios atingiram diversas localidades no Irã no final de fevereiro . Em resposta, o país lançou ataques retaliatórios contra bases americanas em nações vizinhas . Bahrein, Emirados Árabes, Omã, Arábia Saudita, Jordânia, Catar e Kuwait sofreram ações militares iranianas . Dessa forma, o conflito se expandiu rapidamente pela região.
A escalada das tensões colocou em xeque a presença iraniana no Mundial. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, já havia levantado dúvidas sobre a viagem nos últimos dias . Ele questionou se faria sentido enviar a seleção a um país que lidera os ataques contra sua nação . Consequentemente, a decisão final veio por parte da autoridade máxima do esporte.
FIFA e Trump reagiram à decisão
O anúncio iraniano contrariou declarações recentes do presidente da FIFA, Gianni Infantino. Na terça-feira (10), ele se reuniu com Donald Trump na Casa Branca . Após o encontro, Infantino publicou em seu Instagram que o líder americano garantiu as boas-vindas à delegação iraniana .
“Durante as discussões, o presidente Trump reiterou que a equipe iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio em solo americano”, escreveu Infantino . Ele destacou ainda que eventos como a Copa do Mundo servem para unir as pessoas . No entanto, o aceno não foi suficiente para reverter a posição de Teerã.
A FIFA ainda não se manifestou oficialmente sobre a desistência. O regulamento da entidade prevê que, em caso de retirada, ela pode adotar “qualquer medida necessária” para garantir a continuidade do torneio . Portanto, a decisão final caberá ao conselho da federação internacional.
Impacto na competição e possíveis substitutos
O Irã integrava o Grupo G da primeira fase . Sua estreia estava marcada para 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Los Angeles . Depois, enfrentaria a Bélgica no dia 21, também na cidade californiana . Por fim, encerraria sua participação na fase de grupos contra o Egito, em Seattle, no dia 26 de junho .
Com a saída iraniana, a vaga precisa ser preenchida urgentemente. O regulamento da FIFA permite que a entidade escolha o substituto a seu critério . Uma das possibilidades é convocar o Iraque, que disputaria a repescagem intercontinental . Nesse cenário, os Emirados Árabes assumiriam a vaga iraquiana na repescagem .
Outra hipótese, embora remota, envolveria seleções eliminadas nas eliminatórias europeias . No entanto, especialistas consideram mais provável que a FIFA opte por uma equipe asiática, respeitando a distribuição continental das vagas. A definição deve ocorrer nos próximos dias, pois o torneio começa em 11 de junho .
Posição iraniana parece irreversível
As declarações do ministro Donyamali não deixam margem para dúvidas. Ele usou termos enfáticos para descartar qualquer possibilidade de participação. “Não temos absolutamente nenhuma chance de participar”, concluiu . Além disso, vinculou a decisão ao luto oficial pela morte do líder supremo.
O governo iraniano também suspendeu a liga nacional de futebol por tempo indeterminado . Vários jogadores teriam morrido nos bombardeios, segundo autoridades locais . Dessa forma, o ambiente no país não é propício para celebrar um evento esportivo internacional.
Enquanto isso, a comunidade aguarda os desdobramentos. A saída do Irã representa a primeira desistência de uma seleção classificada na história das Copas por motivos bélicos. Resta saber como a FIFA resolverá esse impasse a pouco mais de três meses da abertura do torneio.
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