O ataque a tiros ocorrido em uma lanchonete no centro de Campo Mourão no último final de semana matou duas pessoas. As vítimas fatais foram Márcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38 anos. Além deles, outras três pessoas ficaram feridas, sendo que uma delas, Veridiana, de 40 anos, permanece internada em estado grave.
O suspeito do crime, um adolescente de 16 anos, apresentou-se voluntariamente à Delegacia de Campo Mourão nesta segunda-feira, dia 20, e confessou a autoria do atentado. O menor alegou que agiu por vingança contra Veridiana, que seria o alvo principal do ataque. Conforme o depoimento, ele guardava mágoa desde 2024, quando a família dele sofreu um atentado no qual ele próprio foi vítima de tentativa de homicídio.
Márcio e Michael eram comerciantes conhecidos na cidade e frequentavam o estabelecimento para momentos de lazer. Eles tomavam refrigerante quando o adolescente chegou ao local e efetuou os disparos. O suspeito, no entanto, acabou atingindo pessoas que não tinham nenhuma relação com a vingança planejada, pois elas estavam em uma mesa próxima à alvo principal.
A Polícia Civil confirmou que Veridiana foi a única vítima que o adolescente pretendia atingir. Contudo, os disparos acabaram vitimando também Márcio, Michael e outras três pessoas, que seguem em recuperação. Uma das feridas já recebeu alta médica, mas Veridiana permanece internada em estado grave, conforme informaram as autoridades.
Durante o interrogatório, o menor detalhou que passou várias vezes pelo local para confirmar a presença de Veridiana. Ele então viu a oportunidade de executar a vingança e atirou contra a mulher. O adolescente também informou que a arma utilizada no crime pertenceu ao irmão falecido, que morreu em decorrência do atentado sofrido pela família em 2024.
O suspeito alegou que não comprou nem negociou o revólver, mas manteve a posse do objeto com a intenção de se vingar. A polícia apreendeu a arma e agora a enviará para perícia para verificar possível envolvimento em outros atentados registrados na região. As investigações continuam para apurar a origem do material bélico.
A mãe do adolescente foi detida, ouvida e liberada, e continua sendo investigada sob suspeita de ter dado apoio logístico ao filho. Conforme as apurações, ela ajudou o menor a fugir do local após os disparos e, posteriormente, o acolheu em casa para que ele trocasse de roupa. Além disso, a genitora também auxiliou o suspeito a permanecer escondido até a data da apresentação.
O adolescente afirmou que a mãe não tinha conhecimento do crime planejado. No entanto, a delegada responsável pelo inquérito destacou que as investigações continuarão para apurar todas as circunstâncias. O apoio logístico prestado após o atentado já teve confirmação da própria mulher em depoimento.
O trabalho integrado entre Polícia Civil e Polícia Militar foi fundamental para a rápida identificação do suspeito. Assim que o chamado chegou, as equipes iniciaram o isolamento do local e preservaram os vestígios para a investigação. Em poucas horas, os policiais conseguiram qualificar o autor e representaram pela apreensão do menor.
O juízo da Vara da Infância e Juventude de Campo Mourão deferiu positivamente o pedido de busca e apreensão. Portanto, o adolescente não terá liberdade e permanecerá à disposição da Justiça. Ele responderá pelo ato infracional análogo ao crime de homicídio duplamente qualificado, e o magistrado decidirá o destino dele.
Durante as diligências realizadas na residência do menor, os policiais encontraram material explosivo e drogas. O adolescente afirmou que teria encontrado os explosivos em um lago enquanto pescava e resolveu levá-los para casa. Contudo, a polícia vai investigar a origem verdadeira desse material e a destinação que ele daria aos artefatos.
A delegada ressaltou que a investigação não se encerra com a confissão do suspeito. A equipe continuará apurando todas as linhas de investigação para confirmar ou descartar as alegações do adolescente. A perícia na arma do crime também poderá revelar se o revólver participou de outros atentados registrados em Campo Mourão.
Márcio Bertholdi Geraldo e Michael Zachytko Cavalcante eram pessoas muito conhecidas e respeitadas na cidade. A morte deles causou grande comoção entre familiares, amigos e clientes que frequentavam os estabelecimentos comerciais administrados por eles. A lanchonete onde ocorreu o atentado tornou-se local de homenagens espontâneas.
O adolescente demonstrou arrependimento durante o depoimento, conforme confirmou a autoridade policial. Mesmo assim, ele permanecerá internado provisoriamente, e a Justiça decidirá as medidas socioeducativas cabíveis. A população acompanha o desenrolar do caso com expectativa por justiça.
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