Foto: Gilson Abreu/AEN
O Paraná construiu sua trajetória no agronegócio com a fama de “celeiro do Brasil”. Esse título nasceu nos tempos do café, quando o estado chegou a produzir mais de 60% de todo o grão colhido no mundo, transformando cidades, ferrovias e portos. Mas o tempo passou, a cafeicultura perdeu espaço, e o Paraná revelou sua maior virtude: a capacidade de se reinventar. Vieram a soja, o milho e o trigo, que não apenas sustentaram a economia, como abriram caminho para um salto ainda maior — a transformação do estado em um verdadeiro supermercado do mundo.
Hoje, os números ajudam a explicar esse protagonismo. A safra paranaense ultrapassa 40 milhões de toneladas de grãos por ano, segundo o IBGE. Só a soja movimentou quase R$ 40 bilhões em 2022, enquanto o milho respondeu por mais de R$ 20 bilhões, de acordo com o Invest Paraná. Essa produção, no entanto, não fica apenas nos silos. O que se planta nas lavouras vira proteína animal. Milho e soja alimentam aves, suínos e bovinos, fazendo do Paraná o líder nacional em exportações de frango e responsável por cerca de 21% da produção de carne suína do país, segundo o Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social).
A diversificação vai ainda mais longe. A piscicultura, puxada pela tilápia, já é referência: em 2024, o estado respondeu por 64% das exportações brasileiras da espécie, movimentando US$ 35,7 milhões, segundo a FAEP. E não se trata apenas de proteína. A fruticultura também ocupa um papel de destaque. O Paraná é um dos maiores produtores nacionais de laranja e vem crescendo na produção de tangerina, limão, maçã, uva, pêssego e abacate. Essa variedade reforça a imagem de um estado que não se limita a grãos e carnes, mas oferece uma prateleira diversificada de alimentos para o Brasil e o mundo.
As exportações refletem esse dinamismo. Entre janeiro e abril de 2025, o Paraná embarcou 1,18 milhão de toneladas de milho — um aumento de 77% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita chegou a US$ 267 milhões, segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Esse crescimento reforça ainda mais o papel estratégico do estado na segurança alimentar global.
E se a produção impressiona, a logística completa o cenário. O Porto de Paranaguá é hoje um dos maiores corredores de exportação de grãos do planeta e concentra a saída de grande parte da produção agrícola e agroindustrial paranaense. De suas estruturas partem navios carregados de soja, milho, carnes congeladas, sucos cítricos e frutas processadas rumo à Europa, Ásia e Oriente Médio. Paranaguá é, em essência, a vitrine que conecta a abundância do campo paranaense ao mundo.
Se no passado o Paraná era lembrado apenas como celeiro, hoje a definição mais justa é a de supermercado do mundo. A combinação de produção em larga escala, cadeias de proteína animal, citricultura e fruticultura diversificadas, somada a um sistema logístico eficiente, coloca o estado entre os protagonistas globais do agronegócio. O Paraná não só produz: ele transforma, abastece e alimenta
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