A chegada da primavera, em 22 de setembro, trouxe junto um alerta para quem sofre com alergias sazonais. Isso porque a maior circulação de pólen, poeira e ácaros no ar costuma agravar quadros de rinite, conjuntivite, asma e polinose. Na região Sul, estima-se que de 20% a 25% da população tenha algum tipo de sensibilidade relacionada a flores e plantas.
Em contato com as mucosas, o pólen liberado por gramíneas (como o azevém), árvores (ipês, carvalhos, pinheiros e ciprestes) e ervas daninhas desencadeia uma reação inflamatória. A partir desse momento, surgem diferentes tipos de reações alérgicas.
Rinite sazonal: Conhecida como febre do feno, causa espirros em série, coriza, congestão nasal e coceira intensa no nariz e na garganta.
Conjuntivite: deixa os olhos vermelhos, lacrimejantes, inchados e com forte coceira ou sensação de areia.
Asma: provocada quando a inalação dessas partículas irrita os brônquios, o que gera tosse, chiado no peito e falta de ar em pessoas predispostas.
Polinose: é o nome médico para o quadro inflamatório sistêmico leve que simula um estado gripal recorrente durante a época de polinização.
A boa notícia é que o tratamento pode ser iniciado antes mesmo de o problema aparecer. “Em vez de esperar as crises acontecerem, é possível iniciar os cuidados de saúde desde já, por meio da fisioterapia respiratória. A especialidade ajuda na prevenção, no tratamento e na reabilitação de diferentes disfunções do sistema pulmonar“, explica o professor do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Anderson Brandão dos Santos.
Longe de ser apenas uma técnica voltada para eliminar secreções, o método serve para manejar o funcionamento dos pulmões e recuperar a funcionalidade do paciente. “Ela é uma importante aliada quando a condição provoca alterações na ventilação, presença de catarro ou redução da capacidade física. Avaliando cada indivíduo de forma personalizada, é possível definir as melhores estratégias para contornar o desconforto“, destaca o professor.
A área ganhou enorme visibilidade durante a pandemia de Covid-19, principalmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e no período pós-infecção. Contudo, suas indicações abrangem doenças como H1N1, bronquiolite e pneumonia, atendendo desde bebês até a terceira idade.
Entre os principais benefícios da fisioterapia respiratória, destacam-se:
“Enquanto a eliminação de fluidos retidos pode apresentar alívio imediato já na primeira sessão, a reabilitação de fraquezas musculares exige um trabalho progressivo, dependendo da gravidade e da idade”, ressalta Santos.
A intervenção fisioterapêutica é recomendada para pessoas de todas as idades que apresentem algum comprometimento da função pulmonar, seja de forma aguda, crônica ou preventiva. Entre as principais indicações estão as doenças crônicas e inflamatórias, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC, que engloba bronquite crônica e enfisema), fibrose cística e bronquiectasia.
Além disso, o tratamento atende infecções agudas, como pneumonias e bronquiolite (muito comum em bebês), além da recuperação de sequelas respiratórias. No pré e pós-operatório, sobretudo em cirurgias torácicas, cardíacas, abdominais ou bariátricas, a técnica também é essencial. Isso porque a anestesia e a dor podem deixar a respiração superficial, favorecendo complicações evitáveis com o método.
Do mesmo modo, pacientes internados ou acamados precisam manter o pulmão ativo e prevenir a perda de força muscular. Por fim, os distúrbios neuromusculares — doenças que causam fraqueza progressiva, como Esclerose Lateral Amiotrófica, distrofias musculares ou sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) — também entram na lista de indicações.
Com a aproximação do Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, o alerta para os cuidados com essa parcela da população se intensifica. O envelhecimento natural traz mudanças na força e na reserva funcional do organismo. Quando esses fatores se associam a disfunções respiratórias, o impacto sobre a independência pode ser severo.
Para os acamados, a assistência torna-se crucial para evitar a perda de massa magra. “Nosso objetivo não é olhar apenas para a quantidade de ar que entra e sai dos pulmões. Devemos pensar no indivíduo de maneira global: respirar melhor para conseguir se movimentar bem, realizar suas atividades e preservar sua autonomia”, enfatiza Anderson.
Os exercícios direcionados da fisioterapia respiratória são vitais, principalmente, para pessoas acima de 70 anos. Isso ocorre porque, por serem mais frágeis, o sistema respiratório também exige mais trabalho.
Além disso, a prática auxilia pacientes em tratamento da apneia do sono, caracterizada pelo relaxamento da musculatura da garganta e da língua. Nesse cenário, a atividade ajuda a manter os músculos mais firmes.
Fonte: Mem Comunicação – www.memcomunicacao.com.br
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