Nutricionista Isabella Reichardt durante bate-papo com Elisângela Gloor no Almanaque Podcast , para 104 FM e YouTube
Por muito tempo, o foco esteve apenas na alimentação da mãe durante a gestação. No mais novo episódio do Almanaque Podcast, o Bate-papo com a Nutri trouxe um esclarecimento de forma muita fácil de entender. A nutricionista Isabella Reichardt traz um alerta: três meses antes da concepção, os hábitos tanto do pai quanto da mãe já estão moldando a saúde do futuro bebê.
“O hábito dos dois influencia. Tanto que os casais estão procurando nutricionista para que os dois consigam ter a saúde na melhor condição possível para fornecer um óvulo e espermatozoides saudáveis.”
Isso significa que o óvulo e o espermatozoide carregam, cada um, 50% do material genético — e os hábitos de ambos interferem diretamente na qualidade desse material.
Isabella explica o conceito de epigenética de forma simples: o DNA é como um livro cheio de receitas, e a epigenética são os marcadores que determinam quais receitas serão usadas.
“Você carrega ali as informações do DNA de tabagismo, de bebida alcoólica, de obesidade, de doenças cardiovasculares. Isso tudo vai ter no livro de receitas do bebê que você vai gerar.”
Dessa forma, se o pai consome bebida alcoólica em excesso ou tem uma alimentação pobre, isso pode influenciar a mobilidade dos espermatozoides, a formação do tubo neural e até o desenvolvimento cognitivo da criança.
Um dos pontos mais fascinantes é a influência direta da alimentação materna no paladar do bebê. Se a gestante consome frutas, verduras e legumes, é grande a chance de a criança aceitar melhor esses alimentos na introdução alimentar.
“Alimentos com gosto mais forte, se a gestante consome, a criança vai aceitar melhor, porque passa pela placenta.”
Isabella também lembra que a criança precisa ter contato com o alimento de 10 a 15 vezes antes de aceitá-lo — e que a forma de preparo faz diferença.
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A nutricionista faz um alerta importante sobre os suplementos para gestantes. O ácido fólico comum não é a forma que o corpo absorve melhor — o ideal é o metilfolato. O mesmo vale para a vitamina B12 (prefira metilcobalamina) e a vitamina D3 com K2.
Ela também critica suplementos prontos de farmácia que oferecem apenas 200mg de DHA (ômega 3), quando o ideal para uma gestante seria algo mais próximo de 1000mg somando EPA + DHA.
Isabella deixou um roteiro prático para quem deseja se preparar:
Durante a amamentação, a alimentação da mãe também influencia o bebê. Cafeína em excesso, açúcar e alguns chás estimulantes devem ser evitados. Já na introdução alimentar, Isabella sugere começar pelos vegetais antes das frutas — para que a criança não prefira apenas o doce.
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