Terraços em lavouras reduzem perda de água no solo em até 78%, revela estudo no Paraná
Pesquisa da Unicentro comprova que terraços de base larga conservam água e solo em plantio de grãos. Técnica reduz déficit hídrico drasticamente e aumenta a resiliência das lavouras

Uma pesquisa científica comprovou a eficácia dos terraços na agricultura. A técnica reduz drasticamente a perda de água no solo. O estudo aconteceu na região de Guarapuava entre 2019 e 2022. A Unicentro e a Rede Paranaense de Agropesquisa conduziram os trabalhos. O Sistema FAEP e o NAPI Prosolo apoiaram a iniciativa fundamental.
Método comparativo em três megaparcelas
A pesquisa analisou três grandes áreas de cultivo. A primeira simulava o manejo comum dos produtores locais. Ela não utilizava nenhum tipo de terraço na propriedade. A segunda área adotava apenas boas práticas de manejo recomendadas. A terceira, finalmente, incluía terraços de base larga no planejamento. O objetivo era medir e comparar as perdas por erosão hídrica.

Os pesquisadores monitoraram a qualidade física do solo. Eles também analisaram atributos químicos e biológicos ao longo do período. As áreas cultivaram milho, soja, trigo, aveia, centeio e cevada. Além disso, o estudo avaliou uma bacia hidrográfica completa. Essa bacia tinha 119 hectares cultivados em plantio direto.
Resultados comprovam superioridade dos terraços
Os dados revelaram uma diferença abissal entre os sistemas. As chuvas intensas causaram erosões severas nas parcelas sem terraço. A área com a obra física respondeu muito melhor ao controle. O coordenador do estudo, professor Cristiano André Pott, explicou o processo.
“O terraço cria uma barreira física eficiente contra o escoamento”, disse Pott. A água, consequentemente, infiltra mais no solo da lavoura. Essa umidade extra beneficia os micro-organismos do ambiente. O sistema melhora os atributos físicos, químicos e biológicos da terra.
Números comprovam a eficiência hídrica
A adoção dos terraços reduziu as perdas de água em até 78%. O modelo também demonstrou maior infiltração da água no perfil do solo. Ele apresentou menor escoamento superficial após as chuvas fortes. A disponibilidade hídrica para as culturas aumentou consideravelmente.
Apenas o Sistema de Plantio Direto na Palha não se mostrou suficiente. As megaparcelas sem terraço registraram sulcos de erosão profundos. Elas também tiveram perdas significativas de sedimentos e nutrientes. A pesquisa quantificou o prejuízo financeiro dessas perdas.
Prejuízo financeiro atinge R$ 385 por hectare
Os pesquisadores calcularam a perda de nutrientes na bacia hidrográfica. O valor chegou a R$ 385,70 por hectare no ano de 2023. A conta incluiu itens como ureia e cloreto de potássio. O superfosfato triplo e o calcário dolomítico também entraram no cálculo. Esse custo representa um prejuízo direto para o produtor rural.
O presidente interino do Sistema FAEP destacou a importância da pesquisa. “A conservação do solo é uma das nossas bandeiras principais”, afirmou Ágide Meneguette. O estudo orienta e subsidia a tomada de decisão do agricultor. A manutenção da produtividade das próximas safras depende dessas práticas.
Integração de práticas é a chave para sustentabilidade
O professor Pott fez uma recomendação final aos produtores. É crucial integrar práticas vegetativas e mecânicas de conservação. O uso combinado de terraços garante sistemas agrícolas mais resilientes. A agricultura se torna mais produtiva e sustentável com essa abordagem.

Esses recursos preservam a capacidade produtiva do solo a longo prazo. Eles também protegem os valiosos recursos hídricos da região. A sustentabilidade da atividade para futuras gerações depende dessa mudança. O estudo oferece um caminho técnico e comprovado para o produtor.
Sistema FAEP oferece curso gratuito sobre o tema
O Sistema FAEP disponibiliza um curso de capacitação sobre o assunto. O tema é “Manejo e Conservação do Solo – Prática de Campo”. A carga horária total é de vinte horas de treinamento especializado. O produtor rural conhece os tipos de solo e suas fragilidades.
O participante também aprende técnicas para uma tomada de decisão correta. O curso é gratuito e oferece um certificado de conclusão válido. As inscrições estão abertas no site oficial do Sistema FAEP. A iniciativa difunde o conhecimento gerado pela pesquisa científica.
A adoção dos terraços, portanto, deixa de ser uma simples opção. Ela se transforma em uma necessidade técnica e econômica urgente. O Paraná fortalece sua agricultura através da ciência e da inovação conservacionista. O futuro da produção de grãos depende desse manejo inteligente do solo.
Fonte: SISTEMA FAEP – Assessoria
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