O Brasil reúne energia limpa, 205 data centers em operação ou construção e R$ 114,5 bilhões em investimentos estimados. Mesmo assim, parte dos projetos vai para os países vizinhos. Ao mesmo tempo, os profissionais mais qualificados saem do país.
Para quem toca uma empresa na região, essa conta tem outro lado. Ou seja, a falta de gente preparada abre espaço para quem aprende a colocar a inteligência artificial para rodar dentro de um negócio.
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Os dados são do Ministério de Minas e Energia, divulgados em 1º de junho. Naquele levantamento, o país somava 205 data centers em operação e em construção, com mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos previstos.
Além disso, os pedidos de conexão de novos data centers à rede elétrica cresceram 330% entre 2024 e 2025. Com isso, o ministério passou a contabilizar 38 gigawatts em pedidos de acesso. Desse total, 7,1 GW representam R$ 159 bilhões em projetos para os próximos anos.
O incentivo fiscal também avançou. Em 15 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Redata. Ou seja, o regime suspende tributos federais por cinco anos na compra de equipamentos para data centers.
Márcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, descreve o Brasil como um consumidor de soluções prontas. Em entrevista à Bloomberg Línea, ele afirmou que o país perde a oportunidade de embarcar no momento.
“Cada um ou dois meses de atraso já nos colocam em uma nova era da inteligência artificial”, disse Aguiar.
Segundo a Nvidia, sete países menores da região foram mais ágeis para atrair investimento e talento. Na lista estão Chile, Uruguai, El Salvador, Costa Rica, Equador, República Dominicana e Colômbia.
Enquanto isso, o Paraguai fechou com os Estados Unidos um acordo para usar a energia de Itaipu em um projeto de IA. A parceria entre a americana Crusoe e a paraguaia Araico prevê operação inicial em meados de 2027, conforme a CNN Brasil.
A escassez de gente preparada aparece nos levantamentos. Oitenta por cento dos empregadores brasileiros dizem ter dificuldade para preencher vagas, segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026 do ManpowerGroup. A média global é de 72%.
Ao mesmo tempo, a tecnologia já entrou na rotina das empresas. Pesquisa global da McKinsey mostra que 89% das organizações usam IA em pelo menos uma função. Da mesma forma, 80% dos profissionais relatam ganho de produtividade.
Por outro lado, apenas 37% das empresas veem impacto positivo no lucro antes de juros e impostos. Esse número não mudou em relação ao ano anterior. Ou seja, produtividade no dia a dia não vira resultado financeiro sozinha.
Nas pequenas empresas brasileiras, o uso já é comum. Cinquenta e dois por cento dos empreendedores usaram IA nas duas semanas anteriores à pesquisa do Sebrae, feita em parceria com a Meta. Além disso, 60% pretendem ampliar o uso no próximo semestre.
Em Goioerê, o Colégio Polivalente abriu 40 vagas para um curso de Inteligência Artificial integrado ao Ensino Médio. A formação dura três anos, soma 1.200 horas e inclui estágio a partir do segundo ano.
Em Campo Mourão, o Centro Universitário Integrado passou a oferecer graduação em Tecnologia em Inteligência Artificial. Além disso, a instituição mantém um polo de ensino a distância em Goioerê.
Para quem já tem empresa, o Sebrae oferece o programa Negócio em dIA. O curso é gratuito e em português, com trilhas de gestão, marketing e finanças. Com isso, o conteúdo fica disponível até 15 de dezembro.
Nessa área, existem cinco frentes para quem empreende:
A janela tem prazo. Segundo Aguiar, a tecnologia anda rápido. Por isso, a diferença aparece em quem mudou o processo antes de 2027.
Por que o Brasil perde talento em inteligência artificial? Sem projetos locais robustos, cientistas de dados e engenheiros de aprendizado de máquina migram para o exterior. Quem fica vira profissional disputado, segundo a Nvidia.
O que mudou com o Redata? O regime suspende tributos federais por cinco anos na compra de equipamentos para data centers. O presidente sancionou a lei em 15 de setembro de 2026.
Pequena empresa precisa de equipe própria de IA? Não necessariamente. Uma saída é preparar alguém de dentro do time para implementar a ferramenta e medir o ganho por processo.
Este texto é uma introdução produzida pela equipe do 104.news. A análise completa está no artigo original da StartSe:
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