O agravamento das tensões no Oriente Médio acendeu o sinal vermelho para a agropecuária do Paraná. Diante da possibilidade de impactos no fornecimento global de petróleo, o Sistema FAEP alerta para o risco no abastecimento de diesel. Esse combustível é essencial para a produção mecanizada e para a logística do setor . Além disso, a elevação dos preços pode encarecer o frete rodoviário e pressionar os custos no campo.
O motivo da preocupação envolve a situação no Estreito de Hormuz, uma faixa marítima estreita entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo passam por essa região . Na última semana, o Irã confirmou o fechamento da passagem e ameaçou atacar qualquer embarcação que tentasse atravessá-la . Desde então, ao menos nove navios comerciais foram atingidos na região. Seis tripulantes morreram durante os ataques .
Como resultado, o preço do petróleo disparou no mercado internacional. O barril do tipo Brent superou os US$ 100 e chegou a atingir US$ 110, o maior valor desde 2022 . Consequentemente, a defasagem do diesel vendido pela Petrobras no mercado interno bateu um recorde de 85% . Diante desse cenário, importadores suspenderam novas compras por temor de não conseguir repassar os preços .
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, reforçou a gravidade da situação. “O diesel é um insumo estratégico para o agronegócio. Ele está presente em praticamente todas as etapas da produção e também no transporte daquilo que é produzido no campo”, afirmou . Meneguette complementou que os sindicatos rurais já relatam falta de combustível nos entrepostos do interior do Paraná .
Segundo levantamento do Departamento Técnico do Sistema FAEP, 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira vem de combustíveis fósseis. O diesel abastece máquinas agrícolas e sustenta parte da logística de transporte da produção . Portanto, qualquer interrupção no fornecimento afeta rapidamente o setor.
No Brasil, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas. Isso inclui grãos, fertilizantes, ração e outros insumos essenciais . No entanto, o país ainda depende do mercado externo para suprir a demanda. Atualmente, 29% do diesel consumido no Brasil é importado . Dessa forma, a instabilidade internacional pressiona diretamente os custos internos.
No Paraná, os efeitos podem ser ainda mais intensos por causa do alto nível de mecanização agrícola. Culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar utilizam máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas . Desde o preparo do solo até a colheita, o combustível é indispensável. Cadeias produtivas como avicultura, suinocultura e produção de leite também dependem de fluxos logísticos contínuos. Elas exigem abastecimento regular para manter os prazos e a qualidade dos produtos.
Além disso, o Brasil vive um momento crítico do calendário agrícola. Os produtores estão em plena colheita da soja e no plantio do milho segunda safra . Qualquer atraso nessas operações pode comprometer a produtividade das lavouras. A Aprosoja Brasil já manifestou preocupação com a interrupção no fornecimento de diesel às propriedades rurais . A entidade alerta para o risco de oportunismo por parte de fornecedores. Diante da escassez, eles podem elevar preços de forma abusiva, pressionando os custos de produção .
Diante desse cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia o aumento urgente da mistura obrigatória de biodiesel. Atualmente, o teor é de 15%. A entidade defende a elevação para 17% . O objetivo é reduzir a dependência externa de diesel fóssil em meio à escalada dos conflitos no Oriente Médio .
A Aprosoja Brasil também pediu ação imediata das autoridades. A entidade quer o restabelecimento do abastecimento e a coibição de práticas abusivas . Além disso, defende a ampliação do uso do etanol na matriz energética, inclusive no transporte de cargas e em máquinas agrícolas .
Enquanto isso, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que monitora a situação. O órgão afirma que os estoques são suficientes para garantir o abastecimento regular . No entanto, produtores rurais no Rio Grande do Sul já relatam dificuldades para receber o combustível desde a última quinta-feira . A ANP notificou as distribuidoras a prestar esclarecimentos sobre os volumes entregues e os pedidos não atendidos .
O bloqueio no Estreito de Hormuz também ameaça outros setores essenciais para o agro. Um quarto de todo o comércio mundial de fertilizantes passa pela região . Além disso, 35% do transporte de químicos e plásticos utilizam a mesma rota . Para o Brasil, há risco nas exportações de proteína animal. Cerca de 23,4% do frango brasileiro tem como destino os países do Golfo . Portanto, a crise pode gerar um efeito cascata na economia.
Por fim, o Sistema FAEP segue monitorando a situação. A entidade reforça a necessidade de atenção das autoridades para evitar o desabastecimento no Paraná. Sem diesel, o agro para. E quando o agro para, toda a cadeia de produção de alimentos sofre as consequências.
Fonte: FAEP – Assessoria
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