A futura secretária de Estado da Educação do Paraná, Fátima Gavioli, deu a primeira entrevista a uma rádio paranaense. E foi para a 104 FM. A conversa foi por telefone, no programa Plantão Policial, com Gerson de Brito, na manhã desta sexta-feira (30).
“É a minha primeira entrevista de rádio no estado do Paraná, e justamente na cidade onde eu nasci“, disse ela, logo no começo. A entrevista foi feita dez dias depois do anúncio do governador eleito Sergio Moro, que confirmou o nome dela para a pasta em 27 de outubro.
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Na conversa, Fátima contou a história que quase ninguém conhece, revelou o que pretende fazer à frente da rede estadual e assumiu um compromisso público com a cidade natal.
Fátima Gavioli nasceu em Goioerê em 5 de fevereiro de 1968. Toda a família morava na Quarta Medição, bairro da zona rural na divisa de Goioerê com Moreira Sales. No início dos anos 1980, uma campanha nacional levou famílias do Paraná para Rondônia com promessa de terra: o Incra distribuía de 42 a 110 alqueires.
Como o assentamento não tinha escola, ela ficou quatro anos sem estudar. “Aí eu descobri minha profissão de professora, porque nesse período eu aproveitei para começar a alfabetizar os meus irmãos, os meus primos. Ali eu descobri que eu realmente queria ser professora.”
Logo depois, em Rondônia, o pai contraiu malária e ficou internado por muito tempo. Por isso, Fátima foi para a cidade de Cacoal e começou a trabalhar como empregada doméstica aos 14 anos. Foram seis anos trabalhando na mesma casa até a volta aos estudos, pelo supletivo. Mais tarde, fez o ensino médio e a faculdade de Letras, até passar no concurso da rede estadual.
Antes do programa, em conversa com a reportagem, ela contou que ainda hoje, tem parentes em Moreria Sales.
De acordo com o relato dela, a tia Marina e o tio Alemão tinham uma sorveteria em frente à igreja matriz, a Sorveteria do Alemão. Por isso, ela quer voltar à cidade, porque saiu de lá muito pequena. Dessa forma, a visita prometida à região nos primeiros meses de governo deve passar também por Moreira Sales.
Em Rondônia, ela passou por todos os degraus da carreira: professora, diretora, delegada de ensino e coordenadora regional. Em 2014, assumiu a Secretaria de Estado da Educação.
Em 2018, foi convidada pelo então governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ficou na pasta até março de 2026. No período, a nota do ensino médio goiano no Ideb subiu de 3,9 para 5,0.
“Eu gosto de descentralizar dinheiro da educação para as escolas“, resumiu. “Quando você tira o dinheiro da secretaria e manda para a escola, você faz girar a economia local.” Ela citou o uniforme escolar, o Chromebook e o Bolsa Estudo como programas criados na gestão goiana.
Ela defendeu a escola de tempo integral de sete horas, com dedicação exclusiva dos professores, e disse que os colégios cívico-militares serão mantidos e aprimorados. Em Goiás, a rede tem 82 colégios militares.
Sobre a gestão atual, ela disse ser amiga do secretário Roni Miranda, que deixa o cargo para assumir a Educação do Rio Grande do Sul. E reconheceu o peso de chegar a um estado que, segundo ela, ocupa o 1º lugar no Ideb, com 5,1.
“Você dirigir um time que está perdendo é a melhor coisa do mundo. Eu quero ver você dirigir um time que está ganhando e manter ele nas finais“, comparou. “O meu compromisso com o governador Sergio Moro é que nós não vamos cair, nós vamos continuar crescendo.”
Entre os planos, citou o empoderamento dos conselhos escolares e dos diretores, a padronização das escolas com apoio de arquitetos e psicólogos e a revisão da carga horária dos professores, hoje em 32 aulas. “Eu não vou negar que 32 aulas é puxado“, admitiu.
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Ela também antecipou uma das medidas mais duras: a revisão das cedências de professores para outros órgãos. “Não espere de mim que eu deixe faltar um professor de matemática na escola e que na Assembleia Legislativa tenha um professor de matemática cedido para um deputado. Isso não vai acontecer”, afirmou.
“A prioridade é atender o aluno.” Segundo ela, 12% dos professores do Paraná estão faltando e há professores cedidos fora da sala de aula. “Eu prefiro fazer isso logo na chegada. Vamos saber quem é quem, onde está, quem paga.“
Ela também citou um pedido do município de Curitiba para transferir os anos finais ao Estado em 2027.
Gerson de Brito lembrou que o Núcleo Regional de Educação de Goioerê atende nove municípios e pediu que ela visitasse a cidade.
“Eu vou visitar os 32 núcleos em 90 dias. Mas eu me comprometo agora aqui com você que o primeiro vai ser o núcleo de Goioerê, sim. Até porque eu estou voltando para a minha terra, para a minha casa”, respondeu.
Ela contou ainda que foi batizada em Goioerê pelo padre Luiz de Paoli e que lembra nomes e sobrenomes de gente da época. “Vai ser muito gratificante poder viver isso ainda“, disse.
Perguntas frequentes
Quando Fátima Gavioli assume a Educação do Paraná? A transição começa em 5 de janeiro de 2027, data da posse do governador Sergio Moro.
O que ela prometeu para Goioerê? Visitar o Núcleo Regional de Educação da cidade nos primeiros 90 dias de gestão, como o primeiro dos 32 núcleos do Paraná.
Por quanto tempo ela ficou sem estudar? 4 anos, entre a saída de Goioerê e a retomada dos estudos em Rondônia, segundo o relato dela na entrevista.
Onde ouvir a entrevista completa? No canal do YouTube do 104.news
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