Em um mundo onde mais de 735 milhões de pessoas ainda enfrentam a fome extrema, discutir o papel dos defensivos agrícolas na produção de alimentos vai além de uma questão técnica — é uma questão de humanidade. A agricultura moderna, com seus avanços científicos e tecnológicos, é a linha de frente no combate à desnutrição. E entre seus principais aliados estão os defensivos agrícolas.
Demonizados por narrativas simplistas, esses insumos são, na verdade, ferramentas vitais para garantir a produtividade das lavouras e a segurança alimentar em escala global. Sem eles, milhões de toneladas de alimentos seriam perdidas para pragas, doenças e plantas daninhas, agravando um cenário já dramático de fome e insegurança alimentar.
A comparação com a agricultura orgânica, embora válida, revela um abismo preocupante. Os alimentos orgânicos, por dependerem de métodos naturais de controle e apresentarem menor produtividade por hectare, têm custos significativamente mais altos. Como consequência, seu acesso ainda é restrito a uma pequena parcela da população — justamente a que não enfrenta a fome.
Alimentos orgânicos são excelentes em qualidade, mas não em escala. São como carros de luxo: ótimos para quem pode pagar, inviáveis como solução de transporte público. A luta contra a fome exige volume, acessibilidade e eficiência. E isso só é possível com o apoio de tecnologias que aumentam a produção e reduzem perdas — como os defensivos.
Fonte: Embrapa, Sebrae, estudos técnicos setoriais (valores médios sujeitos a variações regionais).
Enquanto os defensivos ajudam a colocar comida no prato dos mais pobres, o modelo orgânico, com todo seu mérito, ainda é restrito a quem pode pagar mais. Veja os números: menos de 10% da população das classes C, D e E consome alimentos orgânicos regularmente. Em outras palavras, a maioria das pessoas que mais precisa de acesso a alimentos não tem como bancar essa escolha.
A fome não espera. A desnutrição infantil não é resolvida com ideologia, mas com calorias, proteínas e micronutrientes disponíveis em quantidade e a preços acessíveis. Para isso, é preciso defender e qualificar o uso dos defensivos agrícolas — não bani-los.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do planeta, tem um papel estratégico nesse cenário. Com responsabilidade técnica, fiscalização rigorosa e boas práticas agrícolas, é possível conciliar produtividade com segurança alimentar e ambiental.
Em vez de dividir o campo entre “bons” e “maus”, deveríamos unir forças contra o verdadeiro inimigo: a fome. E para vencê-la, precisamos de todas as ferramentas disponíveis — inclusive os defensivos agrícolas.
Fonte: Pesquisa Organis / Ibope Inteligência.
É hora de mudar o foco. A questão não é se o alimento é orgânico ou convencional, mas se ele chega — e chega a tempo — ao prato de quem tem fome. Os defensivos agrícolas, quando usados com critério e responsabilidade, salvam colheitas, salvam economias e, principalmente, salvam vidas.
Porque, no final das contas, combater a fome exige menos ideologia e mais produção. E nisso, os defensivos agrícolas são protagonistas — mesmo que, muitas vezes, invisíveis aos olhos de quem nunca precisou escolher entre comer ou não comer.
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