O padre Jiliard Adolfo de Souza, pároco da Paróquia Cristo Redentor, no Jardim Curitiba, contou sua história em uma longa conversa no Programa Almanaque, na 104 FM, e revelou muito mais do que a própria trajetória religiosa. A entrevista percorreu infância, família, vocação, formação, experiências de oração, trabalhos antes do seminário e até as impressões que ele tinha sobre a vida religiosa ainda menino.
Nascido em 12 de setembro de 1982, em Siqueira Campos, no Norte Pioneiro do Paraná, e ordenado sacerdote em 23 de fevereiro de 2013, Pe. Jiliard contou que carrega desde a infância uma relação muito forte com a família, com a cidade onde cresceu e com a fé que foi sendo construída dentro de casa. Ele se descreveu como um menino melancólico, perfeccionista e muito “certinho”, o que, segundo ele, sempre marcou a forma como enxergava o mundo.
Durante a entrevista, o padre lembrou que veio de uma família católica tradicional, com raízes em Minas Gerais. Segundo ele, a história familiar traz valores, mas também dores, lutas e cruzes, algo que o ajudou a entender que o padre continua sendo um ser humano comum, mesmo depois da ordenação.
Ele também relembrou cenas muito vivas da infância e adolescência, quando já muito novo, participava de movimentos dentro da igreja.
A entrevista também valorizou muito essa ideia de que a fé nasce da memória. Pe. Jiliard destacou que a infância, as lembranças, os cheiros, as festas e a convivência familiar têm papel decisivo na espiritualidade das pessoas.
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Outro ponto explorado na conversa foi a origem familiar. O padre contou que sua família veio de Minas Gerais e que, na região de onde vieram os antepassados, havia forte mistura cultural, com presença italiana, portuguesa e também de pessoas escravizadas. Para ele, Minas é “um país à parte”, pela riqueza histórica e cultural.
Ao falar da cidade onde cresceu, Siqueira Campos, o padre destacou que ela é marcada por forte tradição religiosa, especialmente pela devoção ao Bom Jesus da Cana Verde. Ele lembrou que a cidade chega a receber enorme quantidade de romeiros em dias de festa, reunindo fiéis do Paraná, Santa Catarina e até do sul de São Paulo.
Um dos trechos mais interessantes da entrevista aparece quando o padre fala da relação da família com os frades e seminaristas. Ele contou que a mãe, a tia e a avó eram madrinhas de seminaristas, ligados ao convento capuchinho de Siqueira Campos. Os freis passavam a semana no convento e, aos fins de semana, iam almoçar nas casas dessas madrinhas.
Foi nesse ambiente que o padre começou a imaginar a vida religiosa. Segundo ele, ainda menino, pensava que no seminário alguém também cuidaria dele, assim como a família cuidava daqueles religiosos. A lembrança é reveladora porque mostra como a vocação foi sendo construída não apenas por um chamado abstrato, mas também por observação, convivência e afeto. Esse contato ajudou a alimentar sua percepção de que a vida de consagrado era algo bonito, sério e desejável.
Padre Jiliard também explicou que começou a participar da Renovação Carismática aos 11 anos. Foi ali, segundo ele, que teve uma experiência de oração muito marcante, em maio de 1993, sentindo fortemente a presença de Deus. A partir dali, a vocação foi se tornando cada vez mais real, ainda que de forma silenciosa e cheia de conflito interior.
Ele admitiu que a decisão de entrar para o seminário não foi simples. Pelo contrário: houve uma luta interna entre o desejo de ficar perto da família, da cidade e da rotina conhecida, e o chamado para uma vida totalmente nova. A vocação, segundo ele, foi um processo longo, silencioso e cheio de discernimento.
A entrevista também mostrou que a vida de Jiliard antes da vida sacerdotal foi bastante diversa. Ele estudou História em Jacarezinho e, ao mesmo tempo, trabalhou em diferentes funções. Passou por atividades como office boy, trabalho em escritório de contabilidade, Santa Casa e depois no DETRAN.
Esse período, segundo ele, foi importante para amadurecer. Ao falar do DETRAN, brincou com o fato de a instituição estar muito diferente hoje, em comparação com a época em que ele trabalhou lá.
Um dos momentos centrais da conversa foi quando ele explicou que, em 2004, decidiu fazer um verdadeiro recolhimento: um “ano de silêncio”, como definiu, voltado para jejuns, silêncio e oração. A proposta era parar, refletir e entender de vez se seguiria ou não a vida religiosa.
Ele contou que esse momento foi decisivo, porque abriu espaço para organizar aquilo que já vinha sendo pensado desde a adolescência. A entrada no seminário, segundo ele, não foi uma ruptura brusca, mas o resultado de uma caminhada longa, feita de oração, visitas, observações e vínculos construídos ao longo do tempo.
Ao longo da entrevista, Pe. Jiliard fez questão de insistir em um ponto: o padre continua sendo humano. Ele disse que o sacerdócio não tira da pessoa suas imperfeições, suas lutas internas ou seus conflitos. Pelo contrário, exige ainda mais consciência de si mesmo.
Ele afirmou que ser padre o fez se apaixonar pelo ser humano, apesar das dificuldades que todos carregam. Também contou que, em suas orações, ainda conversa e “briga” com Deus às vezes, justamente porque sente o peso da responsabilidade de ser padre.
No fim, a entrevista deixa clara uma mensagem que atravessa toda a fala de Jiliard: a fé dele foi sendo construída no cotidiano, nas lembranças da infância, na convivência familiar, nas madrinhas de seminaristas, nas celebrações da comunidade e nas primeiras experiências espirituais.
Mais do que contar a própria história, o padre acabou mostrando como a vocação religiosa nasce de muitas pequenas cenas da vida comum — e como essas memórias seguem vivas mesmo depois de anos de sacerdócio.
A entrevista na íntegra, com todo os detalhes você confere clicando aqui.
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