BRASIL

Pequeno aumento de velocidade pode elevar mortes em 20%, alerta Abramet

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) divulgou uma nova diretriz nesta semana. O documento se chama “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”. Ele reúne dados científicos sobre os limites do corpo humano. Além disso, alerta para os riscos do aumento de velocidade nas vias.

A diretriz surge em um momento importante. Recentemente, entrou em vigor uma medida provisória. Ela autoriza a renovação automática da CNH sem exames. Por isso, a Abramet reforça a necessidade de atenção aos aspectos médicos.

Pequena alteração na velocidade gera grande impacto

Os dados apresentados pela associação impressionam. Aumentar a velocidade permitida em apenas 5% pode elevar as mortes em até 20%. Essa relação direta preocupa especialistas em trânsito. Portanto, qualquer mudança nos limites precisa ser avaliada com cuidado.

A energia liberada em um acidente cresce exponencialmente com a velocidade. Ela rapidamente ultrapassa a capacidade do corpo humano. Consequentemente, as lesões se tornam mais graves. Pedestres, ciclistas e motociclistas são os mais vulneráveis.

Corpo humano tem limites inegociáveis

A diretriz parte de um princípio fundamental. O corpo possui limites biomecânicos que não podem ser ignorados. Dessa forma, as políticas públicas devem considerar esses fatores. O presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, reforça essa visão.

Segundo ele, não se trata apenas de comportamento ou engenharia. A questão envolve limites biológicos concretos. Quando as autoridades ignoram esses limites, o resultado é trágico. Mesmo velocidades consideradas legais podem causar mortes.

SUVs e veículos com frente elevada agravam riscos

O documento também chama atenção para a frota atual. O aumento de SUVs e veículos com frente elevada preocupa. Esses carros provocam lesões mais graves em pedestres. Além disso, o risco de morte cresce mesmo em velocidades moderadas.

Em colisões com pessoas fora do veículo, a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida. Portanto, o impacto direto no corpo da vítima é devastador. A combinação com veículos pesados agrava ainda mais o cenário.

Dados do DataSUS mostram perfil das vítimas

As estatísticas oficiais reforçam a preocupação da Abramet. Pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares. Esse número vem do DataSUS e reflete a realidade brasileira.

A alta velocidade contribui diretamente para esse quadro. Além disso, a infraestrutura inadequada piora a situação. A baixa proteção física desses usuários completa o cenário. Dessa forma, as mortes se tornam mais frequentes.

Renovação automática da CNH preocupa especialistas

A diretriz aborda ainda a renovação automática da carteira de habilitação. A Abramet considera o tema especialmente sensível. Isso porque condições clínicas podem reduzir a tolerância a impactos. Doenças neurológicas e cardiovasculares entram nessa lista.

O envelhecimento também reduz a capacidade do corpo. Distúrbios do sono e osteoporose prejudicam a segurança. Sequelas de traumatismos anteriores exigem acompanhamento. Portanto, a avaliação periódica pelo médico do tráfego é essencial.

Aptidão para dirigir não é permanente

A diretriz demonstra que a aptidão varia com o tempo. A condição de saúde muda ao longo da vida. A idade influencia diretamente na capacidade de direção. O contexto de exposição ao risco também faz diferença.

Dessa forma, a avaliação individualizada se torna indispensável. A renovação automática pode ignorar essas mudanças. Consequentemente, motoristas com problemas de saúde podem circular sem exames. O risco de acidentes aumenta significativamente.

Números da renovação automática impressionam

A medida provisória 1327/2025 já apresenta resultados expressivos. Na primeira semana, 323.459 condutores renovaram a CNH automaticamente. A economia para esses motoristas chegou a R$ 226 milhões. Esse valor inclui taxas, exames e custos administrativos.

A maioria dos beneficiados dirige carros de passeio. Motoristas com CNH categoria B representam 52% do total. Aqueles com categoria AB somam 45% das renovações. Apenas 3% são condutores exclusivamente de motos.

Profissionais também entram na lista

Os condutores profissionais das categorias C e D também foram beneficiados. No entanto, eles representam uma parcela menor. O programa inclui apenas motoristas do Registro Nacional Positivo. Para isso, é preciso não ter infrações nos últimos 12 meses.

O cadastro ocorre pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito. Também é possível acessar o Portal da Senatran. Dessa forma, o processo se torna simples e rápido. No entanto, nem todos podem aderir ao programa.

Exceções importantes na renovação automática

Alguns grupos precisam procurar os Detrans pessoalmente. Motoristas com 70 anos ou mais entram nessa lista. Eles precisam renovar a CNH a cada três anos. Portanto, o exame médico continua obrigatório.

Quem teve a validade reduzida por recomendação médica também fica de fora. Doenças progressivas exigem acompanhamento contínuo. Condições que demandam monitoramento frequente entram na exceção. Além disso, documentos vencidos há mais de 30 dias não participam.

Regra especial para maiores de 50 anos

Motoristas com mais de 50 anos têm uma regra específica. Eles precisam renovar a CNH a cada cinco anos. A renovação automática será permitida apenas uma vez. Depois disso, o exame presencial volta a ser obrigatório.

Dessa forma, a segurança continua sendo prioridade. A Abramet defende que a avaliação médica é insubstituível. Pequenos problemas de saúde podem passar despercebidos. No entanto, eles afetam diretamente a direção segura.

Recomendações da Abramet para gestores

A diretriz apresenta sugestões claras para as autoridades. Os limites de velocidade precisam considerar a tolerância humana. Políticas permanentes de gestão da velocidade são essenciais. Campanhas educativas devem acompanhar as mudanças.

Além disso, a infraestrutura precisa proteger os vulneráveis. Calçadas adequadas e ciclovias fazem diferença. Redutores de velocidade em pontos críticos salvam vidas. Dessa forma, o trânsito se torna mais seguro para todos.

Debate sobre fluidez versus segurança

A Abramet critica decisões baseadas apenas na fluidez. A conveniência administrativa não pode falar mais alto. Os dados científicos precisam orientar as políticas públicas. Caso contrário, as mortes continuarão aumentando.

Pequenas reduções de velocidade geram quedas expressivas no risco de morte. Por outro lado, acréscimos modestos elevam a gravidade dos acidentes. Portanto, a escolha dos limites exige responsabilidade. A vida dos usuários depende dessas decisões.

Fonte: AGÊNCIA BRASIL

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