A oportunidade bate à porta. E nós não abrimos.
Por que empresários evitam capacitação? Iris Schurt reflete sobre medo, Dunning-Kruger e a chance de transformação com o Empretec. Leia mais.

Na semana que vem, Campo Mourão recebe o Empretec. Para quem não conhece, é o principal programa de formação de empreendedores do mundo — criado pela ONU, presente em 40 países, com mais de 2 milhões de pessoas capacitadas. No Brasil, é exclusivo do Sebrae. São 60 horas de imersão em comportamento empreendedor. Não é palestra motivacional. É metodologia cientificamente fundamentada.
E aqui está o que me inquieta: Goioerê, que há pouco mais de uma década colheu frutos reais desse curso — empresários que saíram dele com outra postura, outra gestão, outros resultados —, todo mundo que conversei na época amou! E hoje disse que faria de novo.
Infelizmente, hoje registra uma adesão tímida. Pelo que soube, apenas duas pessoas daqui se inscreveram: eu e mais alguém que ainda vou descobrir quem é.
E às vezes a gente se pergunta: é falta de informação? É falta de interesse? Creio que seja algo mais profundo.
Eu entendo.
Cinco dias longe do negócio parece um absurdo quando você mal consegue tirar um fim de semana. A empresa não para, os funcionários demandam, os boletos não esperam. Eu sei disso. Conheço essa exaustão de perto — é o que mais escuto nas mentorias. O empresário do interior carrega o peso de tudo nas costas e ainda assim sente que não pode se afastar nem por uma semana para investir em evolução.
Mas preciso dizer uma coisa desconfortável: essa impossibilidade, muitas vezes, é uma justificativa elegante para um medo que ninguém admite. O medo de descobrir que não se sabe tanto quanto se pensa.
Existe um fenômeno estudado pela psicologia que se chama Efeito Dunning-Kruger. O nome é complicado, mas a ideia é simples: quanto menos uma pessoa sabe sobre algo, menos ela percebe que precisa aprender.
É uma armadilha do próprio cérebro. Não é arrogância — é cegueira estrutural. A pessoa não tem competência suficiente para avaliar a própria (in)competência. E quanto mais “tempo de estrada” ela tem, mais essa ilusão se cristaliza. A experiência, ao invés de ser uma ponte, vira um muro que impede a aprendizagem.
É quase uma “cegueira orgulhosa”. Mas não é que o empresário não queira aprender. É que ele genuinamente acredita que já aprendeu tudo o que precisava. Já passou por crises, já fechou negócios, já lidou com gente difícil. “Curso? Para quê?”
E assim, ano após ano, ele repete os mesmos padrões, enfrenta os mesmos problemas e culpa o mercado, o governo, a concorrência — tudo menos a própria falta de atualização.
Os dados são claros. O Sebrae aponta que empreendedores que investem em capacitação têm, em média, 30% mais chances de manter a sustentabilidade dos seus negócios. Nem preciso dizer que isso pode ser uma grande diferença competitiva nesse tempo de crise…
O Banco Mundial publicou um estudo curioso: treinamentos tradicionais — contabilidade, estoque, marketing — têm resultados limitados. Mas quando a formação incorpora psicologia, trabalhando iniciativa pessoal, autoconhecimento e comportamento, os resultados são significativamente superiores. Ou seja, a questão não é técnica. É comportamental. É exatamente isso que o Empretec faz. E é exatamente isso que mais ressoa com o trabalho que eu também desenvolvo há 23 anos.
Talvez ajude pensar fora do mundo dos negócios. Sabe aquela coisa? Quando não dói, a gente deixa pra depois? Um checkup na saúde… a visita ao dentista… E por que será? Porque enquanto não dói, a gente acredita que está tudo bem, e às vezes está mesmo… mas e se o problema estiver silencioso? A questão é, quando a dor chega, o tratamento é mais caro, mais longo e às vezes já é tarde.
Com a formação empresarial é a mesma coisa. Enquanto a empresa “está funcionando” — mesmo que no automático, mesmo que no limite — o empresário adia o investimento em si mesmo. E quando a crise chega — e ela sempre chega — ele tenta resolver com as mesmas ferramentas de sempre. E se pergunta por que o resultado não muda. Aí vêm as velhas “justificativas”: difícil de lidar com gente, imposto, governo, mercado, guerra lá não sei onde… conhece essa história??
Eu decidi fazer o Empretec. Entendo que não há limites para aprender — conhecimento e experiência não ocupam espaço, ampliam horizontes. Confesso que estou animada e apreensiva ao mesmo tempo: já me disseram que era “paulera” e, ao mesmo tempo, um divisor de águas! Eu escolho, por mim, pela minha empresa e pelos meus clientes, estar num próximo patamar!
E você? O que escolhe?
Quando foi a última vez que você investiu em formação? Não em um vídeo de três minutos no celular. Em um processo sério, que te tirou da zona de conforto e te fez repensar a forma como você conduz o seu negócio e a sua vida?
Se a resposta é “faz tempo” ou “nunca”, talvez seja hora de olhar para isso com mais honestidade. A cegueira orgulhosa não é um caráter defeituoso. É um viés cognitivo. E vieses, por definição, são invisíveis para quem os carrega. A boa notícia é que têm cura: a cura se chama exposição. Expor-se a novas ideias, a novos métodos, a pessoas que pensam diferente de você.
O Empretec está aí, a poucos quilômetros de distância. Mas não é sobre o Empretec especificamente. É sobre a decisão de parar de usar a experiência como muro e começar a usá-la como escada. A diferença entre o empresário que cresce e o que estagna raramente é talento ou sorte. É a humildade de reconhecer que ainda há algo a aprender — e a coragem de fazer algo a respeito.
Abraço carinhoso!
Iris Schurt – Psicóloga (CRP 08/09802) e mentora de empresários. Atua há mais de 23 anos desenvolvendo pessoas e líderes.
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