Enchentes afetaram mais de 6,3 milhões de moradores no Rio Grande do Sul
Pesquisa sobre as enchentes mostra que mais de 6,3 milhões de moradores foram afetados no Rio Grande do Sul e revela impactos na saúde, moradia e qualidade de vida.

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 afetaram 6.333.727 moradores, segundo a Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o levantamento estimou que 2.328.093 domicílios sofreram algum tipo de impacto.
Danos atingiram mais da metade dos domicílios
De acordo com o IBGE, 55,5% dos moradores relataram danos na estrutura das residências após as inundações. Além disso, 81.272 domicílios ficaram destruídos e outros 190.253 sofreram danos considerados graves.
Ao mesmo tempo, a pesquisa apontou que 88% dos imóveis afetados enfrentaram interrupções em serviços essenciais. Entre os principais problemas apareceram a falta de água, energia elétrica e internet.

Foto: Gustavo Garbino/PMPA
Saúde e infraestrutura sofreram impactos
Além dos prejuízos materiais, 67,5% dos entrevistados afirmaram que a tragédia abalou a saúde. Enquanto isso, os moradores também relataram dificuldades provocadas pelos danos na infraestrutura urbana.
Entre os principais impactos nos bairros, o levantamento identificou ruas e rodovias danificadas, alagadas ou interditadas. Em seguida, apareceram o acúmulo de lixo, residências destruídas ou isoladas e interrupções na iluminação pública.
Quase um milhão de pessoas mudou de endereço
Depois das enchentes, 922.233 moradores mudaram de residência. Desse total, 37,9% apontaram as inundações como principal motivo da mudança.
Além disso, 71,6% dessas pessoas viviam em imóveis que sofreram danos estruturais. Ao mesmo tempo, a pesquisa identificou maior concentração de famílias com renda de até R$ 2 mil entre aqueles que precisaram deixar suas casas.
Qualidade de vida piorou para parte da população
O levantamento mostrou que 24,9% dos moradores passaram a viver em condições inferiores às existentes antes das enchentes. Por outro lado, 17,3% perceberam alguma melhora, enquanto 56,5% afirmaram que a qualidade de vida permaneceu estável.
Segundo o IBGE, a percepção de piora representa um indicador importante dos efeitos prolongados do desastre sobre a população.
Reflexos sociais persistem
A pesquisa também revelou que a saúde mental apareceu como o principal impacto social, com 67,5% das respostas. Além disso, muitos moradores relataram interrupções no convívio familiar e dificuldades para chegar ao trabalho, à escola ou à creche.
Enquanto isso, 20,8% dos domicílios informaram que pelo menos um morador recebeu auxílio financeiro público após as enchentes. Ainda assim, a maior parte dos beneficiários pertence às faixas de renda mais baixas.
Resgates contaram com forte atuação de voluntários
Os dados ainda mostram que 652.107 domicílios ficaram sem acesso durante as enchentes. Por isso, equipes de resgate utilizaram principalmente embarcações e veículos terrestres para atender as vítimas.
Além disso, os voluntários participaram da maioria dos atendimentos, com presença em 74,9% dos resgates. Na sequência, atuaram órgãos oficiais, como Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Forças Armadas.
Por fim, o IBGE destacou que apenas 38,5% dos moradores afirmaram conhecer ações preventivas para reduzir os efeitos de futuras enchentes. Dessa forma, o instituto reforçou a necessidade de ampliar a comunicação com a população sobre medidas de prevenção e recuperação.
Fonte: AGÊNCIA BRASIL
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