AGRO

PLANO SAFRA: QUANDO O DINHEIRO FICA PRESO NO PAPEL

Há alguns dias, escrevi nesta coluna sobre o endividamento do produtor rural e a queda do lucro do Banco do Brasil, resultado direto da dificuldade do campo em honrar compromissos diante de custos crescentes e políticas públicas pouco eficazes. Pois bem — agora a bola da vez é o Plano Safra, anunciado como o maior da história, mas que não chega às mãos de quem realmente produz.

O governo divulgou com entusiasmo um pacote de R$ 516 bilhões em crédito rural, prometendo irrigar o agronegócio e garantir o desenvolvimento do setor. No discurso, o plano é grandioso. Mas na prática, o dinheiro continua travado entre gabinetes, bancos e burocracia. O produtor, que deveria ser o destino final desses recursos, segue esperando por um crédito que existe apenas no papel.

Enquanto Brasília anuncia números e discursos, pequenos e médios produtores enfrentam a dura realidade da escassez. Linhas de custeio emperradas, exigências cada vez mais complexas e uma lentidão bancária que transforma o crédito em miragem. O resultado é perverso: o agricultor que precisa de financiamento para plantar ou investir se vê obrigado a recorrer a alternativas caras, quando não desiste completamente de investir.

Burocracia que Gera Desigualdade

O Plano Safra, que nasceu com a promessa de democratizar o crédito rural, acaba reforçando as desigualdades do campo. Os grandes grupos e cooperativas, com estrutura e garantias sólidas, conseguem acessar boa parte dos recursos. Já o pequeno e o médio, que sustentam a base produtiva do país, ficam de fora — vítimas de um sistema que anuncia bilhões, mas entrega migalhas.

A Falácia da Justiça Social sem Produção

E enquanto o crédito emperra, o governo insiste em outro caminho: não cortar gastos e aumentar impostos, alegando que isso corrigirá “injustiças sociais”.
Mas não há justiça social sem geração de riqueza — e riqueza não se cria penalizando quem produz. O produtor rural, que garante o alimento, o emprego e a renda no interior, não pode continuar sendo tratado como vilão de um sistema que arrecada mais e devolve menos.

A conta não fecha. O governo arrecada, o campo se endivida e o país se acomoda em discursos.
Justiça social não se faz com impostos, mas com produtividade.
É no campo que nasce a riqueza que sustenta o Brasil, e é lá que o crédito deveria chegar primeiro.

Conclusão: Uma Cobrança por Coerência

O produtor rural não pede privilégio. Pede apenas coerência: que o dinheiro anunciado em Brasília chegue ao interior; que os bancos cumpram seu papel de fomentar a economia real; e que o Estado entenda que o desenvolvimento não vem de decretos, mas de produção

Silvio Gloor

Recent Posts

Embriaguez ao volante termina com prisão de motorista

Polícia Militar prendeu um motorista por embriaguez ao volante. Teste do bafômetro apontou 0,62 mg/L…

8 horas ago

Veículo furtado e espingarda são recuperados; homem é preso

Polícia Militar recuperou um veículo furtado e uma espingarda. Suspeito foi preso em flagrante e…

8 horas ago

Atentado em Campo Mourão: Polícia Civil aponta mulher como alvo dos disparos

A Polícia Civil aponta que Veridiana Gaya Menin Machado Sate seria o alvo do atentado…

22 horas ago

Chacina em Campo Mourão: família faz vaquinha para salvar Izabela, baleada na cabeça

Chacina em Campo Mourão: família faz vaquinha para custear cirurgia de Izabela, baleada na cabeça.…

22 horas ago

Tráfico de drogas: casal é preso após perseguição

Tráfico de drogas terminou com a prisão de um casal após perseguição policial. A PM…

22 horas ago

Homem é esfaqueado e fica gravemente ferido

Um homem de 27 anos sofreu cinco facadas. A Polícia Militar realizou buscas pelo suspeito,…

22 horas ago