COTIDIANO

TJPR barra despejo de arrendatários rurais

O TJPR decidiu impedir, neste caso, o despejo imediato de arrendatários rurais que enfrentam uma cobrança por inadimplemento. A decisão considera a continuidade da produção agrícola e a necessidade de esclarecer a dívida.

A decisão partiu da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná. O colegiado analisou um recurso apresentado em uma ação que começou na Vara Cível de Guaraniaçu.

Os proprietários de uma área rural alegaram que os arrendatários deixaram de pagar a contraprestação referente à safra de 2025. Por isso, pediram a retomada imediata do imóvel.

Entretanto, os arrendatários apresentaram outra versão para o caso. Segundo eles, as partes haviam firmado um acordo verbal para parcelar a dívida diante de dificuldades financeiras.

Tribunal aponta necessidade de provas

Diante dessa divergência, o TJPR entendeu que a questão exige produção de provas antes de qualquer decisão definitiva sobre o débito.

Além disso, o relator, desembargador Diego Santos Teixeira, avaliou que não havia elementos suficientes para demonstrar a probabilidade do direito alegado pelos proprietários.

O magistrado também considerou o artigo 300 do Código de Processo Civil, que estabelece requisitos para a concessão de tutela de urgência.

Nesse contexto, a existência de um possível acordo verbal criou uma controvérsia que impede, neste momento, uma decisão antecipada sobre a retomada da propriedade.

Atividade agrícola pesou na decisão

Além da discussão sobre a dívida, os magistrados destacaram as características específicas dos contratos de arrendamento rural.

O Decreto nº 59.566/66 estabelece regras para esse tipo de contrato e busca preservar a continuidade da atividade produtiva no campo.

Por isso, o Tribunal considerou que o despejo imediato poderia causar impactos relevantes sobre uma atividade agrícola que já estava em andamento.

A legislação também assegura ao arrendatário determinadas prerrogativas relacionadas à purgação da mora. Segundo o entendimento do colegiado, essas garantias não podem perder efeito por causa de uma ordem antecipada de despejo.

Medidas alternativas podem proteger a produção

Embora tenha negado o despejo liminar, o Tribunal não afastou a possibilidade de adoção de medidas para preservar os direitos dos proprietários.

Nesse sentido, os magistrados apontaram alternativas cautelares para garantir o resultado útil do processo. Entre elas, estão o controle judicial da colheita e o depósito dos frutos da safra.

Dessa forma, a Justiça pode acompanhar a produção enquanto as partes discutem a existência e as condições da dívida.

O colegiado também destacou que os proprietários não apresentaram, naquele momento, prova concreta de um perigo de dano grave ou irreparável.

Assim, segundo o entendimento do TJPR, a ausência desse risco reforça a necessidade de cautela antes de determinar a retirada dos arrendatários.

Processo continua em tramitação

A decisão não encerra a discussão sobre o possível inadimplemento. Pelo contrário, o processo deverá seguir para a análise das provas e do contraditório entre as partes.

Portanto, o entendimento adotado pela 17ª Câmara Cível impede apenas o despejo imediato neste momento.

A decisão reforça que conflitos envolvendo arrendamento rural exigem análise cuidadosa. Afinal, uma medida antecipada pode afetar diretamente o ciclo produtivo e gerar consequências econômicas para todos os envolvidos.

O processo tramita sob o número 0027265-48.2026.8.16.0000.

Fonte: TJPR – Assessoria

Leia também:

Redação 104 News

Recent Posts

Violência doméstica mobiliza Polícia Militar e termina com prisões

A violência doméstica mobilizou a Polícia Militar em quatro cidades da região e terminou com…

16 minutos ago

Tráfico de drogas resulta em três presos e apreensões

Ações contra o tráfico de drogas terminam com três homens presos e apreensão de maconha,…

29 minutos ago

Ocorrências policiais movimentam ações da PM e da Polícia Civil

Ocorrências policiais em Goioerê terminam com motocicleta recolhida e cumprimento de mandado de prisão na…

37 minutos ago

Anvisa determina recolhimento e proíbe cosméticos e saneantes irregulares

Anvisa publica medidas para recolher lote falsificado e proibir fabricação, venda e uso de cosméticos…

14 horas ago

Ministério Público denuncia professor por crimes sexuais contra cinco estudantes

Ministério Público do Paraná denuncia professor de colégio estadual por crimes sexuais contra cinco adolescentes…

14 horas ago

PROFNIT pode ganhar novo polo com aulas presenciais

Polo UAB de Goioerê mapeia interesse pelo PROFNIT, programa de pós-graduação em propriedade intelectual, tecnologia…

21 horas ago