Brasil envelhece e eleitores 70+ viram força política
Idosos são quase 17 milhões aptos a votar; TSE e campanhas da sociedade civil mobilizam famílias para levar idosos às urnas

O Brasil está envelhecendo — e o eleitorado acompanha. Hoje, quase 17 milhões de brasileiros com mais de 70 anos estão aptos a votar nas Eleições 2026. Além disso, o grupo cresceu 15,75% desde 2022, ritmo quase cinco vezes acima da média do eleitorado geral.
Somados os maiores de 60 anos, são 37,5 milhões de aptos — ou seja, cerca de 23% do eleitorado, o maior número já registrado. Dessa forma, a longevidade transformou os idosos em uma das forças políticas mais expressivas do país.
O paradoxo: quem mais cresce, mais falta
Por outro lado, o comparecimento não acompanha o crescimento. A abstenção dos 70+ ficou em torno de 60% no primeiro turno de 2022, segundo dados do TSE. Entre as mulheres, chegou a 64%.
Na prática, foram quase 8 milhões de idosos fora do segundo turno — decidido por uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos. Portanto, uma parcela enorme da população mais velha deixou que outros decidissem o próprio futuro.
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Barreiras concretas e invisíveis
Segundo especialistas, as causas vão além do desinteresse. Mobilidade, transporte e acessibilidade pesam de forma concreta. No entanto, há uma barreira menos visível: o etarismo. Muitos idosos sentem que sua opinião “já não importa tanto” — e, consequentemente, se afastam da vida pública.
Mobilização cresce na reta final
Diante desse cenário, o TSE criou o programa Seu Voto Importa, com transporte gratuito para idosos com dificuldade de locomoção. Enquanto isso, o movimento Voto da Experiência, que tem Drauzio Varella entre os apoiadores, espalhou áudios com uma mensagem direta: “as eleições de 2022 foram decididas por 2 milhões de votos. O seu voto pode decidir a de 2026”.
O chamado alcança, ainda, as famílias. “Se você é jovem, convença seus pais e avós a irem votar”, pede a campanha. Vale destacar a frase que resume a pauta: “o voto pode se tornar facultativo aos 70 anos; a cidadania, não”.
Uma escolha sobre o próprio futuro
Com o primeiro turno no próximo domingo, 4 de outubro, a pergunta que fica é simples: quem vai defender as políticas públicas da terceira idade se os próprios interessados não estiverem nas urnas? A resposta, portanto, pode estar nas mãos de 17 milhões de brasileiros.
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