A conta de energia elétrica dos paranaenses ficou mais cara a partir de hoje, quarta-feira (24). Isso porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste médio de 20,51% nas tarifas da Copel Distribuição. O índice, vale destacar, ficou acima dos 19,2% que haviam sido propostos inicialmente em abril.
Na prática, quem pagava R$ 100 na conta de luz vai passar a pagar cerca de R$ 120,51. A tarifa residencial, desse modo, subiu de R$ 0,64 para R$ 0,76 por quilowatt/hora. Ao todo, o reajuste atinge aproximadamente 5,32 milhões de unidades consumidoras em 394 dos 399 municípios do Paraná.
O aumento, no entanto, não é igual para todo mundo. Veja como ficou:
Dentro do grupo das indústrias, alguns setores foram ainda mais atingidos. As fábricas que usam tensão entre 88 kV e 138 kV, por exemplo, tiveram reajuste de 51,21%. Já as que operam entre 30 kV e 44 kV enfrentam alta de 45,24%. Isso acontece porque os custos com a transmissão de energia em alta tensão pesaram mais no cálculo.
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Diferente do reajuste que ocorre todo ano, este é um processo mais completo chamado Revisão Tarifária Periódica (RTP). Ele acontece a cada cinco anos e, nesse período, reavalia todos os custos da empresa — desde investimentos em manutenção da rede até a remuneração dos acionistas. O último reajuste desse tipo, inclusive, foi em 2021, com aumento de 9,8%.
Segundo a Aneel, os principais motivos para o aumento foram:
A CDE, por sua vez, é o principal encargo do setor elétrico e financia subsídios do governo federal, como os incentivos para quem instala placas de energia solar em casa. Ou seja, esses benefícios são pagos por todos os consumidores na conta de luz.
A Copel informou que o reajuste é definido pela Aneel e que o índice inicial calculado pela agência era de 26%. Diante disso, a empresa pediu o adiamento de parte do aumento para reduzir o impacto no bolso do consumidor.
A companhia afirma que, mesmo com o novo valor, a tarifa paranaense continua entre as três mais baixas do Brasil. Além disso, a Copel atribui parte da pressão sobre as contas aos subsídios da energia solar, que cresceram muito nos últimos anos. No Paraná, o número de beneficiários desse incentivo saltou de 55,2 mil em 2020 para 528,5 mil em 2025 — um aumento de quase dez vezes.
O Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), classificou o reajuste como “abusivo”. A entidade lembra que o aumento está muito acima da inflação de 2025, que foi de 4,26%, e que o meio rural sofre com frequentes apagões.
A revisão tarifária, vale lembrar, acontece no terceiro ano da privatização da Copel, concluída em agosto de 2023. Críticos apontam que a busca por maior lucro aos acionistas pressiona as tarifas para cima. A empresa, por sua vez, defende que o modelo atual permite mais investimentos em modernização e segurança do sistema.
Com a aprovação, a Copel se torna a 19ª distribuidora a ter reajustes aprovados pela Aneel em 2026. O índice de 20,51%, por fim, é o segundo maior do ano entre todas as concessionárias do país, atrás apenas da Roraima Energia, que teve aumento superior a 24%.
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