O Gaeco agiu rápido na manhã desta terça-feira, 26 de maio. Mais especificamente, o Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado deflagrou a Operação Déjà-vu. O alvo da vez é o vereador da capital paranaense, Loréns Nogueira (PP) – foto. De acordo com as investigações, ele teria praticado os crimes de “rachadinha” e peculato. Para esclarecer, o artigo 316 do Código Penal trata da rachadinha. Já o artigo 312 define o peculato.
Durante a ação, os agentes cumpriram 13 mandados de busca e apreensão. Todos eles foram expedidos pela Vara de Garantias da Comarca. Os endereços incluíram locais ligados diretamente aos investigados. Entre eles, a Câmara Municipal de Curitiba. Além disso, os policiais visitaram residências e outros imóveis sob suspeita.
No cumprimento das medidas, a equipe encontrou objetos importantes. Por exemplo, duas malas continham grandes quantias em dinheiro. O valor exato ainda não foi divulgado oficialmente. Os agentes também apreenderam equipamentos eletrônicos. Esses aparelhos incluem celulares, computadores e tablets. Da mesma forma, vários documentos foram recolhidos.
Todos esses materiais passarão por perícia. De acordo com o Gaeco, os laudos poderão auxiliar a investigação. Eles também podem revelar novos desdobramentos. Portanto, a análise será minuciosa.
No curso da investigação, houve autorização judicial especial. Mais precisamente, a Justiça permitiu uma ação controlada. Essa técnica consiste em monitorar os passos dos investigados sem que eles percebam. Com isso, os promotores conseguiram identificar repasses de valores. Esses repasses seguiam um padrão suspeito. Eles se destinavam diretamente ao vereador investigado.
Segundo o Ministério Público, os valores são compatíveis com a prática criminosa conhecida como “rachadinha”. Nesse esquema, o político exige parte do salário dos funcionários. Esses funcionários são contratados nominalmente para trabalhar em gabinetes públicos. Na prática, eles devolvem o dinheiro ao vereador. Assim, o salário vira uma fonte ilegal de renda.
O nome da operação chama a atenção. Déjà-vu é uma expressão francesa. Ela significa “já visto” em português. A escolha não foi aleatória. De acordo com o Gaeco, o nome faz alusão às sucessivas investigações anteriores. Por diversas vezes, o Ministério Público já apurou esse tipo de crime. Em todos os casos, a prática era a mesma. Ou seja, a rachadinha se repete como um déjà-vu.
O termo popular descreve exatamente esse esquema ilegal. Nele, um político ou assessor exige a devolução de parte do salário. Os funcionários são obrigados a concordar. Caso contrário, perdem o emprego. Dessa forma, a prática corrompe a administração pública. Ela também desvia recursos que deveriam financiar serviços à população.
Os investigadores seguem com a análise do material apreendido. Neste momento, os peritos examinam documentos e equipamentos eletrônicos. Assim que terminarem, novos elementos poderão surgir. O Gaeco não descarta novas fases da operação. Também não descarta o pedido de prisão preventiva. Por fim, o inquérito correrá sob sigilo. O número do processo é 0006345-47.2026.8.16.0196. A Vara de Garantias acompanhará todos os passos.
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