Lula é reeleito presidente com 51,8% dos votos e assume 4º mandato
Virada inédita na história: petista estava atrás no 1º turno e superou o adversário no 2º; diferença final de 4,4 milhões de votos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25). Ele venceu o segundo turno das eleições 2026 com 51,77% dos votos válidos — 64.171.319 votos — contra 48,23% (59.790.152 votos) do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 99,9% das urnas apuradas. Portanto, a diferença final foi de cerca de 4,4 milhões de votos.
A vitória tem um marco histórico: é a primeira virada de um candidato que estava atrás no primeiro turno em uma eleição presidencial brasileira. Flávio Bolsonaro venceu o 1º turno com 47,03% contra 45,16% de Lula — a diferença mais apertada da história entre os dois primeiros colocados. Ou seja, o petista conquista o quarto mandato (2003-2006, 2007-2010, 2023-2026 e 2027-2030), com Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice.
A posse será em 5 de janeiro de 2027, conforme a nova regra constitucional aprovada em 2021, que mudou a data da posse presidencial — antes realizada em 1º de janeiro
A noite eleitoral mais longa da história
O resultado veio após uma noite atípica. A votação foi prorrogada por duas horas — até as 19h — por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, após denúncias de falta de ônibus e chuvas em vários estados. Em outras palavras, foi a primeira vez na história que uma eleição foi prorrogada pelo Supremo em todo o país. O TSE pausou a apuração com 0,25% das urnas contadas e só retomou o ritmo pleno depois das 19h.
Da mesma forma, a eleição registrou alta abstenção. No 1º turno, 21% dos eleitores não compareceram, já no segundo turno a abstenção foi de 19,2% — e as duas campanhas disputaram voto a voto os eleitores que faltaram.
Como Lula virou o jogo
No 1º turno, Flávio Bolsonaro venceu em 15 estados; Lula, em 12. No 2º turno, o petista reconquistou terreno no Sudeste — Minas Gerais, o estado-chave, virou para Lula durante a apuração — e ampliou a vantagem no Nordeste, onde fez mais de dois terços dos votos. Por conseguinte, a virada se construiu nos estados grandes, e não nos pequenos.
Na região de Goioerê, porém, o mapa seguiu o sentido oposto: Flávio Bolsonaro venceu em 22 dos 25 municípios da Comcam, com 60,91% dos votos válidos contra 39,09% de Lula. Em Goioerê, o senador fez 64,29% (10.498 votos) contra 35,71% (5.830) do petista. No entanto, o petista venceu em três cidades da região: Nova Cantu, Corumbataí do Sul e Altamira do Paraná — essa última por um único voto.
O que dizia o mundo
A imprensa internacional acompanhou a eleição de perto. O jornal britânico The Guardian destacou que o pleito seria decidido “pelo pequeno número de eleitores que não se identificam com nenhum dos candidatos”. O Le Monde, da França, escreveu que os brasileiros decidiam “entre duas visões radicalmente opostas para o país”. A agência Reuters avaliou que o resultado poderia mover o Brasil “bruscamente para a direita” — projeção que, no entanto, não se confirmou.
STF prorroga votação até 19h em todo o país no 2º turno
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