Setembro Amarelo: psicóloga esclarece mitos e orienta sobre prevenção
Psicóloga Iris Schurt participa do Programa Gerson de Brito e aborda o Setembro Amarelo, desmistificando tabus sobre o suicídio e mostrando caminhos para pedir ajuda.

A psicóloga Iris Schurt participou do Programa Gerson de Brito, na Rádio 104 FM, na última terça-feira (8), para falar sobre o Setembro Amarelo. A campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida ganhou espaço no programa, com uma conversa franca e esclarecedora. A profissional abordou desde os mitos mais comuns até os sinais de alerta e os canais de ajuda disponíveis.
A importância de falar sobre o assunto

Iris iniciou a participação destacando que o silêncio em torno do suicídio é um dos maiores obstáculos para a prevenção. Muitas pessoas evitam o tema por medo, receio de “dar ideia” ou por desconhecimento. Contudo, ela reforçou que falar sobre o assunto não aumenta o risco. Pelo contrário, nomear o problema abre espaço para o acolhimento e reduz o estigma. Dessa forma, quem está sofrendo sente-se mais à vontade para pedir ajuda.
O que a ciência sabe sobre a mente de quem pensa em suicídio
A psicóloga explicou que o suicídio não é desejo de morte, mas sim desejo de fim do sofrimento. A dor psíquica insuportável leva a pessoa a enxergar a morte como única saída, mesmo quando existem alternativas. Além disso, ela abordou a ambivalência: praticamente todo mundo que pensa em suicídio está dividido entre o desejo de viver e o desejo de que a dor acabe. Por isso, o pensamento não é uma sentença — é um grito de socorro.
Outro ponto crucial é a desesperança. A pessoa não acredita que a dor vai passar, e essa sensação de eternidade alimenta o pensamento suicida. Iris citou a teoria dos três passos, mostrando que dor + desesperança geram o pensamento, mas a conexão com outras pessoas é o principal fator de proteção. Quando a esperança se reconecta, o pensamento perde força.
Desmistificando o mito mais perigoso
Iris derrubou um dos mitos mais prejudiciais: a ideia de que falar sobre suicídio induz a pessoa a cometer o ato. Ela explicou que essa crença é falsa e que, ao contrário, perguntar com cuidado e escuta ativa alivia o sofrimento. “Quem está pensando em suicídio, ao ser perguntado com cuidado, sente alívio por finalmente poder dizer“, afirmou. Por conseguinte, a profissional orientou que amigos e familiares não tenham medo de abordar o tema.
Sinais de alerta e como ajudar
A psicóloga listou alguns sinais que merecem atenção: isolamento social, mudanças bruscas de humor, falas como “não vou estar mais aqui”, descuido com a aparência e perda de interesse em atividades que antes davam prazer. Além disso, ela destacou que a ideação suicida é mais comum do que se imagina — um estudo brasileiro encontrou esse pensamento em 47% de estudantes de psicologia. Portanto, pensar sobre o assunto não significa planejar, mas requer atenção.
Onde buscar ajuda
Iris encerrou a participação reforçando os canais de apoio. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo telefone 188, de forma gratuita, sigilosa e 24 horas. Além disso, ela orientou a procurar um psicólogo ou psiquiatra, e lembrou que o SUS oferece atendimento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Se você está pensando em suicídio: você não quer morrer — quer que a dor pare. Pensar não é fazer. E existe porta de saída que não é a janela“, concluiu.
Com efeito, a participação de Iris Schurt no Programa Gerson de Brito trouxe informações essenciais para a comunidade. A campanha Setembro Amarelo ganhou ainda mais força com a abordagem clara e humana da profissional. Agora, a população dispõe de mais ferramentas para identificar sinais, acolher quem sofre e buscar ajuda. O diálogo aberto e a informação correta são as melhores armas contra o silêncio que mata.

Iris Schurt participa todas as terças-feiras do Programa Gerson de Brito na Rádio 104 FM
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