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Apostas virtuais acendem alerta para risco de suicídio

Especialistas alertam que apostas virtuais podem agravar o sofrimento psíquico e elevar o risco de suicídio. Conheça sinais e serviços de ajuda.

Redação 104 News

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Apostas virtuais acendem alerta para risco de suicídio

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Nesta quinta-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, profissionais de saúde mental alertam para o avanço das apostas virtuais. Pacientes com dependência nessas plataformas, além disso, relatam sofrimento psíquico intenso. Por isso, muitos chegam aos consultórios com humor deprimido e ansiedade extrema. Diante desse cenário, especialistas defendem ações urgentes e conversas abertas durante os tratamentos. A psiquiatra Katia Branco, do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que a ideação suicida exige tratamento aberto. Ela supervisiona o Grupo Pro-Amiti, que estuda o transtorno de controle de impulso. Dessa forma, o acolhimento adequado pode reduzir riscos e ajudar o paciente. No entanto, o silêncio ainda dificulta a busca por ajuda.

Sinais de alerta

Familiares e amigos precisam observar mudanças importantes de comportamento. Desesperança, sensação de estar sem saída e afastamento das pessoas acendem o alerta. Além disso, aumento do uso de álcool e falas sobre morte exigem atenção. Nesse sentido, a busca por ajuda deve ocorrer o quanto antes. A ludopatia, condição marcada pelo desejo incontrolável de jogar, agrava esse cenário. Consequentemente, os prejuízos financeiros alimentam pensamentos de morte em casos graves. Por exemplo, a pessoa pode esconder dívidas e se isolar da família. Por isso, o olhar atento de quem convive com o dependente faz diferença.

Recompensa perigosa

O neurocirurgião Orlando Maia explica que a dependência envolve condições orgânicas. Quando alguém aposta, o cérebro pode liberar dopamina diante da expectativa de ganhar. Essa recompensa, então, influencia regiões ligadas ao controle das decisões. Assim, o sistema de recompensa pode falar mais alto que os mecanismos de controle. O especialista alerta que a ideia suicida surge no aprofundamento de quadros depressivos. A frustração contínua, portanto, merece cuidado redobrado. Ele defende que o Setembro Amarelo repita o papel do cuidado e dos serviços de apoio. Além disso, ele cobra informação clara sobre os riscos do jogo problemático.

Ajuda e acolhimento

A psicóloga Claudia Feres atua em Centro de Apoio Psicossocial no Distrito Federal. Ela recomenda que pacientes dependentes e familiares procurem ajuda profissional imediatamente. Muitas pessoas chegam ao Caps após pensamentos ou tentativas de autoextermínio. Para ela, esse gesto representa um pedido de socorro desesperado. A especialista faz o acolhimento e pede para trazer a família junto. Além disso, ela busca estratégias que façam sentido para todos. O problema, segundo Claudia, ultrapassa o indivíduo e o celular. Por isso, a solução também precisa ocorrer no âmbito coletivo. Dessa forma, redes de apoio se tornam essenciais no tratamento.

Caminho do risco

A psiquiatra Giovanna Quinet destaca que apostar não causa depressão automaticamente. Nem toda pessoa que aposta terá pensamentos suicidas. O problema aparece quando o jogo deixa de ser eventual e ocupa o centro da vida. A perda de controle e as consequências negativas, então, se acumulam. As apostas online ficam no bolso e disponíveis quase 24 horas por dia. Existe grande exposição ligada ao esporte, à publicidade e às redes sociais. Essa circunstância normaliza o comportamento e dificulta a percepção do limite. Em determinado momento, a pessoa aumenta as apostas para recuperar perdas. Depois, vêm dívidas, conflitos familiares, insônia, ansiedade, culpa, vergonha e isolamento. Esse estado de desesperança pode se associar à depressão. Consequentemente, cresce o risco de pensamentos e comportamentos suicidas. Por isso, não se deve esperar o fundo do poço para procurar ajuda.

Atuação coordenada e serviços

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável considera importante debater a prevenção ao jogo problemático. A entidade afirma que o mercado federal regulado opera com regras de proteção ao consumidor. O enfrentamento, portanto, exige atuação coordenada entre poder público, reguladores, empresas, entidades e sociedade. Em relação à publicidade, o setor diz que a regulamentação impôs regras específicas e rigorosas. Se houver risco de suicídio, a pessoa não deve ficar sozinha. O Samu atende pelo telefone 192. Para quem precisa conversar, o CVV oferece atendimento gratuito pelo telefone 188. Esse serviço funciona 24 horas por dia. Portanto, falar sobre prevenção significa olhar para todo sofrimento que leva à desesperança. Ao mesmo tempo, significa oferecer ajuda concreta e acolhedora.

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