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Bate-papo com a Nutri – Bebê de nove a doze meses: o que muda no prato?

Nutricionista Jéssica Ribeiro explica sobre o corte certo das frutas e por que não se deve forçar o bebê a comer.

Elisangela Gloor

Elisangela Gloor

Bate-papo com a Nutri – Bebê de nove a doze meses: o que muda no prato?

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O bebê que aos seis meses só observava o prato agora quer pegar tudo. Entre 9 e 12 meses, ele engatinha, descobre o mundo e, na hora da refeição, tenta comer sozinho. A nutricionista Jéssica Ribeiro chamou essa etapa de “bebê explorador” no Bate-Papo com a Nutri, do programa Almanaque, na 104 FM.

Segundo ela, a quantidade deixa de ser a preocupação principal. O foco passa a ser a qualidade do que vai no prato e a variedade de texturas oferecidas à criança.

O prato nessa fase

A rotina já tem almoço e jantar, mais dois lanches: um no café da manhã e outro no café da tarde. Além disso, os lanches mudam de formato. Antes, a fruta vinha sozinha. Agora, ela pode dividir o prato com uma batata-doce e um ovo mexido, por exemplo.

“O que a gente tem que olhar é para a qualidade desses alimentos”, disse. Cada lanche deve ter uma fruta, uma fonte de carboidrato e uma proteína. Dessa forma, a criança experimenta combinações e aprende a variar o cardápio.

As receitas também entram a partir dos 9 meses. A orientação é usar apenas ingredientes que o bebê já tenha provado separadamente. Panquequinha de banana, bolinho, crepioca com queijo e tapioca recheada são alguns exemplos.

Purê demais atrapalha depois

Nessa idade, a textura precisa evoluir. O alimento que antes ia amassado ou batido no liquidificador passa a ir em pedaços pequenos, sempre com o corte correto.

De acordo com a nutricionista, quem fica só na papinha encontra dificuldade mais tarde. “Esse bebê tem dificuldade para aceitar pedaços ou alimentos mais firmes, por exemplo, a maçã”, explicou. Por isso, a criança pode engasgar com texturas mais firmes e recusar sopas e purês no futuro.

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A mesma lógica vale para quem segue o BLW, método em que o bebê come pedaços desde o início. “De vez em quando oferece um purêzinho de batata, uma carne moída, porque esse bebê também precisa ter contato com diferentes texturas.”

O corte certo da uva e das folhas

Alimentos redondos entram nessa fase. A uva, porém, exige cuidado. Corta-se em quatro partes, no sentido longitudinal: pega a fruta em pé, divide ao meio e reparte mais uma vez.

A uva-passa já entra, desde que fique 30 minutos em água morna. Assim, ela fica mais macia e a criança consegue segurar com a ponta dos dedos.

Já as folhas verdes começam a aparecer no prato, mesmo que a criança só mexa e cuspa. “Eles têm dificuldade para mastigar uma folha, mas é importante que eles se familiarizem.” Couve e repolho refogados tendem a funcionar melhor que a alface crua.

Quando começar a usar o talher

A aptidão com os dedos também entra na conta. É o movimento de pinça, quando o bebê pega pedacinhos com o indicador e o polegar. Quem ainda não faz esse movimento pode treinar com fitas penduradas na cadeira.

Para a nutricionista, o talher deve entrar agora, mesmo com a bagunça. A sugestão é começar pelo garfinho infantil, com cabo grosso, segurando a mão da criança na primeira tentativa. “Espera-se que esse bebê com um ano já coma sozinho com talher.”

O que fazer quando a criança recusa

A recusa faz parte. Se o bebê fecha a boca, a orientação é não insistir com o aviãozinho e as musiquinhas. Ofereça água, tente mais uma vez e, se ele recusar de novo, encerre a refeição.

“Permanecer nessa insistência vai fazer que ele não goste desse momento da alimentação”, alertou. O cadeirão precisa continuar sendo um lugar confortável.

Há um sinal, contudo, que merece avaliação. Empurrar a comida com a língua para fora é normal aos 6 meses, mas não aos 9. Nesse caso, a profissional encaminha a criança para a fonoaudióloga.

Quando oferecer açúcar

Nada de açúcar antes dos dois anos. Para adoçar receitas, a saída é a banana bem madura ou uma ou duas colheres de uva-passa hidratada. O cacau, na versão 100%, pode entrar no bolinho.

O suco também não é necessário depois de 1 ano. “Ele tem que saber beber água”, afirmou. Na refeição, a água fica à vontade, sem medo de a criança encher a barriga e parar de comer.

Por fim, o exemplo da mesa pesa mais que qualquer discurso. O bebê observa o prato dos pais e costuma querer o que está ali. Por isso, a nutricionista recomenda amassar menos, variar mais e sentar junto.

Perguntas frequentes

Quantas refeições o bebê de 9 a 12 meses faz por dia? Almoço, jantar e dois lanches, um no café da manhã e outro no café da tarde.

Como cortar a uva para o bebê? Em quatro partes, no sentido longitudinal. A uva-passa deve ficar 30 minutos em água morna antes de ir para o prato.

Pode oferecer purê nessa fase? Sim, de vez em quando. O ideal é variar, porque a criança precisa conhecer texturas moles e firmes.

Com quantos meses o bebê come sozinho com talher? O treino começa aos 9 meses, e a expectativa é que a criança coma sozinha por volta de 1 ano.

Pode dar açúcar ou suco? Açúcar só depois dos 2 anos. O suco pode entrar após 1 ano, mas sem virar hábito.

Sobre o quadro:
O quadro Bate-papo com a Nutri, vai ao ar todas as quintas-feiras, dentro do programa Almanaque, na 104 FM (14h às 15h30). O Objetivo é desmistificar a nutrição, levar dicas e orientações sobre diverso assunto, com a participação de Nutricionistas.

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