Ouça aqui:

Clima atual

Goioerê/PR

--º

--º

BRASIL

Juros altos e spreads bancários elevam endividamento das famílias no Brasil

O endividamento das famílias atingiu 80% em abril, nova máxima histórica. Governo lançou o Novo Desenrola para ajudar na renegociação de dívidas.

Redação 104 News

Redação 104 News

Juros altos e spreads bancários elevam endividamento das famílias no Brasil

Compartilhe:

Economistas apontam um cenário preocupante para as finanças familiares no Brasil. A elevada taxa básica de juros (Selic) e os altos spreads bancários contribuem para o endividamento das famílias. O spread bancário, vale explicar, é a diferença entre os juros que os bancos pagam e os que emprestam. No Brasil, esse spread chegou a 34,6 pontos percentuais em março. No mesmo mês de 2025, o índice era de 29,7 pontos. O Banco Mundial, para efeito de comparação, calcula um spread médio mundial de apenas 6 pontos. Dessa forma, a diferença brasileira é brutal.

A professora de economia da UnB, Maria Lourdes Mollo, explicou a relação direta entre os fatores. Quanto maior a taxa Selic definida pelo Banco Central, maiores são os juros bancários. “Os juros dos empréstimos estão muito altos”, afirmou ela. Isso tem relação direta com o endividamento das pessoas. A economia, segundo a professora, fica muito dificultada para funcionar. Ela citou ainda a precarização dos empregos como agravante. A reforma trabalhista do governo Temer, segundo Maria Lourdes, motivou esse quadro. Grande parte das pessoas se endivida para completar o orçamento familiar. Elas precisam pagar despesas com saúde e do cotidiano. O Novo Desenrola, portanto, pode liberar um pouco o orçamento.

Brasil lidera ranking mundial de spread bancário, apontam dados

O Brasil, de acordo com dados do site especializado Moneyou, tem a segunda maior taxa básica de juros reais do mundo. Descontada a inflação, a taxa brasileira é de 9,3%. A Rússia, país em guerra, lidera o ranking com 9,6%. O México, em terceiro lugar, tem uma taxa de 5,0%. Na última reunião do Copom, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. A taxa, mesmo assim, chegou a 14,5%, ainda considerada elevada. O BC sustenta que os juros altos são necessários para controlar a inflação. Críticos, por outro lado, questionam o patamar excessivamente elevado.

A professora da UFF, Juliane Furno, avaliou o cenário do spread bancário. “O Brasil tem um dos maiores spreads bancários do mundo”, afirmou ela. Em algumas comparações recentes, o país aparece no topo do ranking. Os bancos justificam o spread elevado pela inadimplência alta. Esse valor, segundo eles, justificaria o risco assumido. Juliane, no entanto, rebate essa justificativa. “Posso também dizer que a inadimplência é alta porque os juros são altos”, argumenta ela. O ranking da World Open Data, com dados de 2024, coloca o Brasil em primeiro lugar. O país lidera as maiores taxas de spread do planeta.

Famílias com menor renda registram maior nível de endividamento

Pelo quarto mês consecutivo, o total de famílias com dívidas cresceu no Brasil. A CNC, em pesquisa recente, apontou que o índice alcançou 80% em abril. Esse número representa uma nova máxima histórica. As famílias inadimplentes, com contas em atraso, ficaram em 29,7%. O dado apresenta relativa estabilidade em relação aos meses anteriores. As famílias que ganham até três salários mínimos sofrem mais. Elas registram o maior nível de endividamento (83,6%). Além disso, têm o maior índice de contas em atraso (38,2%). Dados do BC de março mostram a disparidade de juros. Os bancos cobram das pessoas físicas uma taxa média de 61% ao ano. Para as empresas, a taxa média foi de 24%. O rotativo do cartão de crédito pode chegar a mais de 400% ao ano.

Novo Desenrola pretende ajudar famílias a renegociar dívidas

O governo federal, por fim, lançou o Novo Desenrola Brasil. O programa busca ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores. Os participantes poderão renegociar dívidas, limpar o nome e recuperar o crédito. A nova fase da iniciativa terá duração de 90 dias. Os descontos, de acordo com o governo, podem chegar a 90%. Os juros reduzidos também facilitarão as negociações. A possibilidade de usar o FGTS para abatimento de débitos também está prevista.

Fonte: AGÊNCIA BRASIL

Leia também:

Compartilhe:

Links úteis

Participe do nosso grupo no WhatsApp

Siga-nos nas Redes sociais

MAIS LIDAS