Anvisa aprova primeiro remédio não hormonal para sintomas da menopausa
Comprimido diário age diretamente no cérebro para reduzir fogachos e suores noturnos, comuns na menopausa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira (22) o Veoza (fezolinetanto) , o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar os sintomas da menopausa. Fabricado pela farmacêutica Astellas Farma, o remédio chega em comprimidos de uso diário de 45 mg.
Até agora, a terapia hormonal era a principal opção para ondas de calor e suores noturnos. O Veoza abre caminho para quem não pode utilizar hormônios — seja por histórico de câncer de mama, trombose, problemas cardiovasculares ou por escolha pessoal.
Como o remédio age no cérebro
Diferente da reposição hormonal, o fezolinetanto não repõe estrogênio. Ele atua diretamente no hipotálamo, a região do cérebro que funciona como termostato do corpo.
Na menopausa, a queda na produção de estrogênio desregula a neurocinina B, substância química cerebral. Isso faz o hipotálamo disparar falsos alarmes de calor.
O novo medicamento bloqueia o receptor específico onde a neurocinina B se encaixa nos neurônios. Sem essa ligação, o termostato volta a funcionar com estabilidade.O resultado é a redução da frequência e da intensidade dos fogachos e suores noturnos.
Eficácia comprovada em estudos
A aprovação da Anvisa se baseou em três ensaios clínicos de fase 3, que reuniram mais de 3 mil mulheres na Europa, Estados Unidos e Canadá. Os dados mostraram:
. Redução significativa na frequência das ondas de calor
. Diminuição da intensidade dos episódios
. Melhora na qualidade do sono
. Efeitos observados já nos primeiros dias de uso
. Parte das participantes relatou ganhos expressivos na qualidade de vida e na produtividade no trabalho.
Quem pode usar
O Veoza é indicado para mulheres na transição menopausal ou já na pós-menopausa com sintomas moderados a intensos. Estima-se que até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos sofram com ondas de calor. No Brasil, 36,2% delas apresentam sintomas moderados a graves — índice acima da média global de 15,6%.
O medicamento é alternativa para:
. Mulheres com contraindicações à reposição hormonal
. Pacientes com histórico de câncer de mama
. Quem tentou a terapia hormonal sem sucesso
. Quem prefere uma abordagem não hormonal”
Historicamente, as opções não hormonais eram limitadas. O novo medicamento amplia as possibilidades de tratamento.
Quando chega às farmácias?
O medicamento foi aprovado pela Anvisa, mas ainda depende da avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que define os preços. Não há previsão oficial de lançamento nem valor definido.
Aprovação global
O fezolinetanto já foi aprovado em outros países, incluindo Estados Unidos e Europa, antes de receber o aval da Anvisa. A chegada ao Brasil representa um marco para a saúde feminina e amplia o leque de opções para uma fase que atinge milhões de brasileiras.
Links úteis
Participe do nosso grupo no WhatsApp












