Juros elevados seguram recuperação financeira das famílias brasileiras
Os juros elevados continuam pressionando o bolso das famílias brasileiras. Inadimplência subiu 1 ponto percentual em 12 meses e comprometimento da renda já atinge 29,7%

Os juros elevados seguem como um grande obstáculo para as famílias brasileiras. A informação consta nas Estatísticas Monetárias e de Crédito. O Banco Central divulgou os dados nesta segunda-feira (27). De acordo com o BC, a taxa média de juros do crédito livre recuou. A queda foi de 0,4 ponto percentual em março. Porém, o patamar continua extremamente alto. A taxa anual chegou a 61,5% para pessoas físicas.
Com juros tão altos, o brasileiro paga caro por qualquer empréstimo. Por causa disso, muitos recorrem a modalidades de curto prazo. O cartão de crédito é o principal exemplo dessa tendência. Essa modalidade costuma ter as taxas mais elevadas do mercado. Portanto, o ciclo vicioso do endividamento se mantém.
Inadimplência cai no mês, mas sobe em 12 meses
A inadimplência total do Sistema Financeiro Nacional teve queda mensal. O índice ficou em 4,3% da carteira em março. Essa taxa recuou 0,1 ponto percentual no mês. Contudo, a análise anual mostra realidade diferente. Em 12 meses, a inadimplência avançou 1,0 ponto percentual. Entre as famílias, a situação se mostra ainda mais grave. A taxa de inadimplência chegou a 5,3% nesse grupo. Em um ano, o indicador subiu 1,4 ponto percentual.
Os juros elevados explicam parte desse fenômeno. Quando os juros sobem, fica mais difícil pagar as contas em dia. Além disso, o comprometimento da renda também preocupa. As famílias brasileiras destinam 29,7% da renda para dívidas. Esse índice subiu 0,2 ponto percentual no mês. Na comparação anual, o avanço chegou a 1,9 ponto percentual.
Endividamento das famílias quase atinge 50%
O endividamento das famílias alcançou 49,9% em fevereiro. Esse percentual representa a proporção de renda comprometida com dívidas. Houve alta de 0,1 ponto percentual no mês. Em 12 meses, o avanço foi maior: 1,3 ponto percentual. Portanto, metade da renda familiar já está comprometida com débitos.
Apesar dos juros elevados, o crédito às famílias continua em expansão. O saldo total das operações de crédito chegou a R$ 7,2 trilhões. Esse valor representa crescimento de 0,9% no mês. O crédito destinado diretamente às famílias somou R$ 4,5 trilhões. Houve alta mensal de 0,8% nessa linha. Em 12 meses, a expansão atingiu 10,9%.
Destaque para cartão de crédito e veículos
No crédito livre para pessoas físicas, o saldo chegou a R$ 2,5 trilhões. Esse segmento avançou 1,1% no mês de março. Em 12 meses, a alta foi de 12,3%. O Banco Central destacou algumas modalidades específicas. O cartão de crédito à vista liderou o crescimento. Em seguida, apareceu o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada. Os financiamentos de veículos também tiveram bom desempenho.
O crédito direcionado às famílias somou R$ 2 trilhões. Essas linhas têm recursos com regras específicas. Houve crescimento de 0,5% no mês. Em 12 meses, a alta chegou a 9,3%.
Crédito ampliado alcança R$ 21 trilhões
O crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 21 trilhões. Esse valor equivale a 162,3% do Produto Interno Bruto. Houve leve retração de 0,3% no mês. Em 12 meses, porém, o crescimento chegou a 11,2%. O crédito ampliado às empresas atingiu R$ 7,1 trilhões. Essa linha teve expansão mensal de 1,5%. Os títulos privados de dívida impulsionaram o resultado. Os empréstimos externos também contribuíram para o avanço. Por fim, as operações do SFN completaram o cenário de alta. Sendo assim, os juros elevados não inibiram completamente a demanda por crédito.
Fonte: AGÊNCIA BRASIL
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