Operação Samaritano cumpre 17 mandados de busca e apreensão
A Operação Samaritano cumpriu 17 mandados de busca e apreensão contra suposto desvio de R$ 36,9 milhões de entidades assistenciais, com bloqueio de bens.

A Operação Samaritano cumpriu 17 mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (26) contra um esquema de desvio de recursos de entidades assistenciais. O Núcleo de Londrina do Gaeco, do Ministério Público do Paraná, executou as ordens judiciais. A 3ª Vara Criminal de Londrina expediu os mandados. Dessa forma, os policiais cumpriram as buscas no Paraná e em São Paulo. Além disso, a investigação apura apropriação de valores obtidos com a venda de títulos de capitalização e posterior lavagem de dinheiro.
Esquema desviava recursos de títulos filantrópicos

As investigações começaram em 2021. Os investigadores apuram supostas apropriações feitas por uma distribuidora de títulos de capitalização sediada em Londrina e por empresas ligadas a ela. A distribuidora, em tese, ficava com parte dos valores que a regulamentação da Susep destina às entidades beneficentes. Por conseguinte, as entidades recebiam menos do que deveriam. Paralelamente, os investigados usavam notas fiscais sem lastro, duplicadas ou de empresas de fachada para aumentar despesas e lucros ilícitos.
Entidades beneficentes são vítimas
As possíveis vítimas incluem a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), a Irmandade Santa Casa de Londrina e o Hospital do Câncer de Londrina. Até agora, o prejuízo estimado chega a R$ 36.913.661,48. A partir de 2020, a regulamentação mudou e a sociedade de capitalização passou a depositar o resgate diretamente na conta da entidade. Contudo, os investigados teriam adaptado o esquema por meio de supostos contratos de “promoção de vendas”. Entre março de 2020 e maio de 2022, a Santa Casa transferiu R$ 33,16 milhões à distribuidora. Já o Hospital do Câncer repassou R$ 3,75 milhões entre julho de 2020 e abril de 2021.
Bloqueio de bens e sequestro de imóveis

Além das buscas, o Juízo determinou o sequestro de imóveis e o bloqueio de valores até o limite de R$ 36.913.661,48. Dessa forma, a Justiça busca garantir a reparação dos danos. Os investigadores também apuram a destinação dos valores, que passavam por várias etapas para esconder a origem. Entre as etapas, estava a participação de empresas em nome de familiares dos sócios para adquirir imóveis e veículos de luxo. Por fim, o Ministério Público esclarece que a venda de títulos filantrópicos é lícita e regulamentada. As entidades beneficentes são vítimas dos supostos delitos. As investigações continuam em segredo de justiça.
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